Colunista

Luis Arís

Para ser ESG, setor de mineração explora cada vez mais tecnologias convergentes OT e IT


28/03/2022 | 00:00:00 | Visto por: 4565 leitores

     Um dos setores mais pujantes da economia brasileira, a indústria de mineração faturou em 2021 62% a mais do que foi conquistado em 2020. O levantamento do IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) indicou que a marca de 339 bilhões de reais foi atingida. Em termos de produto, a maior procura foi por minério de ferro, minério de ouro e minério de cobre. Estudo da consultoria Economática divulgado no início de março de 2022 revelou que as ações de empresas de mineração presentes na B3 se valorizaram 35% desde o início do ano.

 

     Para seguirem na rota do crescimento, as mineradoras brasileiras têm investido no alinhamento às métricas ESG (governança ambiental, social e corporativa). A organização tem de gerar relatórios, estudos que partem de um imenso e variado data lake para construir análises precisas do grau de maturidade da mineradora.

 

     Relatório divulgado pela Delloite no início de 2022 indica que a indústria mineradora brasileira está atrás de países como Canadá e Austrália em relação a questões relevantes da pauta ESG. É necessário avançar na relação com comunidades indígenas, otimização do uso da energia, disseminação da digitalização por todo o processo produtivo – da mina ao porto – e implementação de novos controles de cibersegurança.

 

Caminhões autônomos e esteiras de transporte de minérios

     Nessa jornada, a monitoração de todo o ambiente produtivo é cada vez mais crítica. Estudo da consultoria Mordor Intelligence divulgado em janeiro deste ano indica que o mercado de soluções de conectividade e monitoração para a indústria global de mineração deverá chegar a 24 bilhões de dólares em 2026.

 

     O fato da mina ser um ambiente hostil exige o uso crescente de tecnologia – isso inclui caminhões autônomos, escavadoras, esteiras transportadoras de minérios, sensores de qualidade de ar, soluções de iluminação, elevadores e, no mineroduto, uma miríade de sensores IoT para monitorar o transporte do produto até o porto. Trata-se de um ambiente de altíssimo custo – um caminhão autônomo para uso em minas pode facilmente custar milhões de reais. Um pneu, centenas de milhares de reais.

 

     A complexidade da operação é tal que, nas empresas mais avançadas, há múltiplos data centers instalados ao longo de todo o processo de produção. Esses centros de dados aceleram os processos de negócios e aumentam a consistência de toda a operação. Numa mina de minério de ferro, por exemplo, um data center irá processar dados produzidos ao longo de toda a cadeia de extração, desde a pressão das bombas, volume nos dutos de minérios, até a vida útil dos equipamentos. Outro centro de dados, instalado no porto, pode tratar especificamente das tarefas comerciais e administrativas ligadas à exportação do produto. 

 

Visão holística do processo de mineração

     Uma forma de otimizar esse universo e garantir a aderência de cada fase do processo ao modelo ESG é utilizar soluções de monitoração de ambiente digitais capazes de unificar, em uma única interface, dados sobre toda a produção de minérios. Esse software de monitoração tem de ir além do ambiente OT, integrando também informações vindas do setor de TI. A visão holística aumenta a consistência da gestão, produzindo dados que alimentam as métricas estabelecidas pelo modelo ESG.

 

     Nesse contexto, a plataforma de monitoração "White Label" lança luzes sobre o status de todos os componentes digitalizados, da esteira de transporte de minério ao pneu do caminhão, sem deixar de lado os elementos dos data centers. O objetivo é ir além da análise imediata do que se passa na mineradora, conquistando uma visão preditiva sobre o comportamento de hardware, software e processos envolvidos na continuidade da produção. Passa-se a contar, por exemplo, com uma visão preditiva da manutenção dos equipamentos, o que evita os prejuízos causados por interrupções não planejadas.

 

Monitoração da qualidade do ar na mina

     O intenso uso de dispositivos IoT representa um dos maiores desafios de monitoração da mina. A rede física, especialmente em minas subterrâneas, pode ser frágil. Operações em locais remotos costumam dificultar a captação de sinais 3G/4G. As redes SCADA são críticas, mas demandam soluções de monitoração para estar em plena operação. E, finalmente, a diminuição da qualidade dos minérios pode levar as empresas a escavar em maior profundidade, o que torna ainda mais complexa a tarefa de implementar e monitorar sistemas IoT. Nesse contexto, a monitoração da qualidade do ar da mina é um dos pontos críticos.

 

     Uma resposta possível a todos esses desafios é o uso de soluções de monitoração capazes de oferecer informações detalhadas sobre milhões de componentes digitais da mina. Alertas de segurança e indicadores da necessidade de ações como manutenção são emitidos de forma automática, com o uso de avançados recursos de inteligência artificial.

 

     O setor brasileiro de mineração é extremamente competitivo e pode, na atual conjuntura global, avançar ainda mais. Para isso, o líder dessa organização precisa tomar decisões cada vez mais rápidas e melhores. É essencial, também, mover a empresa de forma consistente em direção ao modelo ESG. A soma da digitalização de todo o processo de mineração com soluções convergentes OT e TI pode ajudar nessas conquistas.



Comentários desta notícia 0



Comentários - ver todos os comentários


Seja o primeiro a comentar!

© Copyright 2002-2019 SEGNEWS - Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Rede SegComunicação. SEGNEWS e SEGWEB são marcas da BBVV Editora Ltda, devidamente registradas pelas normas do INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial.