7 de Outubro amplia riscos de escalada no Oriente Médio
Por Redação
07/10/2026 às 13:39:52 | | views 65
Três anos após ataque do Hamas, conflitos envolvendo Israel e Irã deixaram região mais instável e aumentaram riscos para energia, comércio e segurança
Três anos após os ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, o Oriente Médio está mais fragmentado e exposto ao risco de novos conflitos. A guerra em Gaza desencadeou confrontos envolvendo Israel, Hezbollah e Irã, enfraqueceu grupos armados aliados de Teerã e alterou o equilíbrio militar da região.
Para Bruno Huberman, professor de relações internacionais da PUC-SP, o 7 de Outubro foi um ponto de virada. A região passou a operar com maior fragmentação, com Israel e Emirados Árabes Unidos próximos dos Estados Unidos, o Irã mantendo sua rede de aliados e Arábia Saudita, Turquia e Paquistão buscando maior autonomia estratégica.
A mudança aumenta o risco de erros de cálculo. Um confronto entre Israel e Irã, por exemplo, pode envolver grupos aliados de Teerã no Líbano, Iraque e Iêmen e atingir rotas marítimas, instalações de energia e infraestrutura estratégica.
Um dos sinais dessa preocupação foi o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, firmado em agosto por Turquia, Arábia Saudita e Paquistão. O pacto prevê uma resposta conjunta caso um dos países seja atacado. Segundo Huberman, o acordo não tem o Irã como inimigo declarado, mas demonstra a preocupação dos signatários com a possibilidade de expansão dos conflitos.
Ao mesmo tempo, Teerã perdeu parte de sua capacidade de projeção regional. A queda de Bashar al-Assad retirou do Irã um importante aliado estatal, enquanto o Hezbollah e o Hamas foram enfraquecidos pelos confrontos com Israel.
O resultado é ambíguo para a segurança israelense. A redução da capacidade dos grupos aliados do Irã diminui algumas ameaças imediatas, mas pode aumentar a possibilidade de confrontos diretos entre Israel e Teerã. Com menos espaço para atuar por meio de parceiros regionais, o Irã pode ser pressionado a responder diretamente a ações israelenses ou americanas.
A guerra também alterou a relação de Israel com os países árabes. Antes do 7 de Outubro, avançavam as negociações para uma possível normalização com a Arábia Saudita. O conflito interrompeu esse movimento e recolocou a questão palestina no centro das discussões.
Para Isabela Agostinelli, professora de relações internacionais da Fecap, a guerra iniciada em Gaza passou a funcionar como eixo de outras disputas no Oriente Médio. A instabilidade, segundo especialistas, não se limita ao campo militar e pode afetar petróleo, gás, rotas comerciais e cadeias logísticas.
Um exemplo é o Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa, que conecta Índia, países do Golfo, Israel e Europa e depende de estabilidade regional para avançar.
Três anos depois do 7 de Outubro, o principal risco não está apenas na abertura de uma nova frente de combate, mas na dificuldade de limitar seus efeitos. Um confronto localizado entre Israel e Irã ou entre Israel e grupos aliados de Teerã pode rapidamente ultrapassar as fronteiras e atingir energia, comércio e segurança internacional.
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