Temperatura dos oceanos bate recorde para julho, diz Copernicus
Por Redação
10/08/2026 às 08:34:44 | | views 92
Média chegou a 20,96°C; Europa enfrenta calor, seca e incêndios em meio a temperaturas elevadas no Atlântico e no Mediterrâneo
A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu em julho o maior nível já registrado para o mês, informou nesta segunda-feira (10) o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S), da União Europeia.
A média chegou a 20,96°C nas áreas oceânicas fora das regiões polares. O valor supera o recorde anterior, de 20,89°C, registrado em julho de 2023.
O resultado foi influenciado pelas temperaturas excepcionalmente altas em grande parte do Pacífico tropical, onde estão presentes condições associadas ao El Niño. As previsões indicam que o fenômeno deve ganhar força nos próximos meses.
Na Europa, as temperaturas do Atlântico e do Mediterrâneo ocidental também ficaram em níveis recordes. O calor esteve associado a ondas de calor marinhas que afetaram ecossistemas e comunidades costeiras.
A Europa ocidental teve o período de junho e julho mais quente já registrado, com temperatura média de 21,62°C. O número ficou 2,79°C acima da média e superou o recorde anterior, de 2022.
O calor veio acompanhado de pouca chuva e baixa umidade do solo. França, Espanha, partes da Alemanha e Reino Unido registraram níveis excepcionalmente baixos para o período.
A situação também afetou os rios. De acordo com o Copernicus, os níveis ficaram muito abaixo da média ou em patamares excepcionalmente baixos em algumas das áreas atingidas pela seca. A queda afetou o abastecimento de água, a irrigação e a geração de energia em vários países.
Entre os rios afetados estão o Sena, na França, o Reno, que atravessa vários países europeus, e o Danúbio.
Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, disse que sistemas persistentes de alta pressão concentraram o calor sobre a Europa ocidental e contribuíram para o agravamento da seca.
“É um exemplo claro de como as alterações climáticas estão intensificando as temperaturas extremas, em que o calor e a seca se reforçam cada vez mais”, afirmou.
Incêndios
O calor e a seca também contribuíram para uma temporada de incêndios florestais de grandes proporções na Europa ocidental. Segundo Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, a região teve em julho uma atividade excepcional de incêndios, tanto pela área queimada quanto pelas emissões.
As condições associadas às mudanças climáticas favorecem incêndios maiores e mais intensos no sul da Europa e podem prolongar o período de risco em direção ao norte, afirmou Rouil.
A fumaça pode alcançar regiões distantes dos locais das queimadas. Incêndios maiores lançam mais partículas em altitudes elevadas, onde elas podem ser transportadas pelo vento e chegar a países situados a milhares de quilômetros de distância.
No conjunto do planeta, julho foi o segundo mês de julho mais quente desde o início dos registros. A temperatura média do ar na superfície foi de 16,90°C, praticamente igual à de julho do ano passado e abaixo apenas do recorde registrado em 2023.
A temperatura ficou 1,47°C acima da média estimada para o período pré-industrial, entre 1850 e 1900.
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