Empresas terão de rever cultura de trabalho para se adaptar às novas regras


Por Redação

07/05/2026  às  09:17:10 | | views 3129


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Consultor Rubens Berredo afirma que mudanças na NR-1 e possível fim da escala 6x1 exigirão foco em produtividade, saúde mental e liderança


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A atualização da Norma Regulamentadora 01 (NR-1) e a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho devem provocar uma reorganização na rotina das empresas brasileiras nos próximos meses. As novas exigências incluem a incorporação de riscos psicossociais, como estresse, burnout e assédio, nas políticas de segurança do trabalho, enquanto o debate sobre o fim da escala 6x1 pressiona organizações a repensarem modelos de produtividade. Em entrevista ao SEGNEWS, o consultor em gestão e desenvolvimento humano Rubens Berredo afirma que as empresas precisarão abandonar estruturas baseadas em desgaste excessivo e investir em eficiência operacional, saúde mental e capacitação de lideranças.

 

Autor do livro Liderança como Estilo de Vida (Editora Kelps), com lançamento previsto para o dia 22 de maio, no Salão Nobre da Alego, ele destaca que somente um líder tem capacidade real de  conduzir, mobilizar e engajar as pessoas para alcançarem resultados acima da média.

 

SEGNEWS — O que muda na prática para as empresas com a atualização da NR-1?

Rubens Berredo — A principal mudança é que a saúde mental passa a integrar oficialmente a gestão de riscos ocupacionais das empresas. Isso significa que fatores como estresse, burnout, assédio e ambientes tóxicos precisarão ser identificados, monitorados e tratados dentro das organizações. Antes, muitas empresas enxergavam isso como uma questão secundária ou apenas de clima organizacional. Agora passa a ser uma obrigação legal e operacional.

 

SEGNEWS — As empresas estão preparadas para essa nova exigência?

Rubens Berredo — Muitas ainda não. Algumas já vinham avançando em programas de bem-estar e qualidade de vida, mas boa parte das empresas ainda opera em um modelo baseado em pressão excessiva e sobrecarga. Existe uma cultura de valorização do profissional que suporta mais desgaste, e esse modelo tende a perder espaço. As empresas terão de estruturar ambientes mais saudáveis e sustentáveis.

 

SEGNEWS — Como o possível fim da escala 6x1 impacta o setor produtivo?

Rubens Berredo — O impacto é grande porque obriga as empresas a produzirem mais eficiência com menos tempo disponível de trabalho. Isso exige revisão de processos, eliminação de desperdícios, reuniões desnecessárias e retrabalho. Não será possível simplesmente reduzir a jornada mantendo a mesma lógica operacional. A produtividade precisará vir de inteligência de execução, não de desgaste humano.

 

SEGNEWS — Existe risco de aumento da pressão sobre os funcionários diante da redução da jornada?

Rubens Berredo — Esse é justamente o maior risco. Se a empresa reduzir a jornada sem reorganizar processos, o trabalhador continuará tentando entregar o mesmo volume em menos tempo, aumentando o desgaste. Por isso, as mudanças na jornada e na NR-1 estão diretamente conectadas. Não adianta diminuir horas e manter um ambiente adoecedor.

 

SEGNEWS — O senhor costuma falar em “modelo de performance sustentada”. O que isso significa?

Rubens Berredo — Significa substituir o modelo baseado em esforço extremo por um sistema que valorize consistência, produtividade e equilíbrio. O profissional não pode mais ser premiado porque aguenta pressão excessiva, mas porque entrega resultado de forma saudável e sustentável ao longo do tempo. Esse é o movimento que já acontece em vários mercados e tende a se consolidar no Brasil.

 

SEGNEWS — Quais devem ser as primeiras medidas adotadas pelas empresas?

Rubens Berredo — O primeiro passo é fazer uma revisão operacional séria. Identificar gargalos, desperdícios e atividades que não geram valor. Depois disso, é importante criar políticas claras de saúde mental, comunicação transparente e acompanhamento contínuo das equipes. Também será essencial investir no treinamento das lideranças, porque são os líderes que vão conduzir essa transformação no dia a dia.

 

SEGNEWS — Qual o papel das lideranças nesse novo cenário?

Rubens Berredo — Fundamental. Não basta criar políticas no papel. O líder é quem percebe sinais de desgaste, conduz conflitos, organiza prioridades e influencia diretamente o ambiente de trabalho. Empresas que negligenciarem o preparo das lideranças terão mais dificuldade de adaptação. Um bom líder sustenta a operação principalmente em momentos de mudança.

 

SEGNEWS — O senhor acredita que essas mudanças vieram para ficar?

Rubens Berredo — Sem dúvida. Os modelos antigos dificilmente voltarão. As novas gerações já buscam propósito, equilíbrio e qualidade de vida. Além disso, a legislação e o mercado caminham nessa direção. O empresário que entender isso mais rápido terá vantagem competitiva, porque conseguirá atrair talentos, reduzir adoecimento e melhorar resultados de forma sustentável.



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