Europeus defendem avanço de acordo comercial com Mercosul
Por Redação
07/05/2026 às 07:39:16 | | views 3871
Parlamentares da União Europeia demonstram confiança em ratificação definitiva do tratado
Representantes do Parlamento Europeu se reuniram nesta quarta-feira (6), em Brasília, com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, para discutir os próximos passos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor provisoriamente desde a semana passada.
O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e teve como foco o processo de validação definitiva do tratado, considerado um dos maiores acordos de livre comércio do mundo.
Assinado no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, o pacto prevê redução significativa de tarifas sobre produtos comercializados entre os dois blocos. A implementação inicial foi autorizada pela Comissão Europeia, mas o texto ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, que avaliará sua compatibilidade com as regras do bloco. A tramitação pode levar até dois anos.
Presidente da Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu, o deputado português Hélder Sousa Silva afirmou esperar uma decisão favorável nas próximas etapas do processo.
“Esperamos que a decisão do Tribunal de Justiça e, depois, a aprovação ou ratificação que se seguirá no Parlamento Europeu sejam positivas. Estou crendo que sim”, disse.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passaram a ter tarifa de importação zerada já no início da vigência provisória do acordo.
Mais de 5 mil produtos brasileiros foram incluídos na primeira etapa de liberalização comercial, entre bens industriais, alimentos e matérias-primas. Entre os cerca de 3 mil itens com tarifa zerada imediata, aproximadamente 93% pertencem ao setor industrial.
A expectativa é que a redução tarifária aumente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu, ao diminuir custos de entrada e preços finais.
Durante a reunião, Alckmin afirmou que o acordo foi negociado com mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis da economia.
“O multilateralismo é importante e ganha a sociedade, que passa a ter acesso a produtos de melhor qualidade, com preços mais acessíveis, além do estímulo à competitividade. O acordo foi muito bem elaborado e tem salvaguardas. É um ganha-ganha”, afirmou.
Na última semana, o governo brasileiro definiu as cotas tarifárias previstas no tratado, mecanismo que estabelece limites para importação e exportação de determinados produtos com impostos reduzidos ou zerados.
Segundo o governo, as cotas abrangem cerca de 4% das exportações brasileiras e 0,3% das importações, o que indica que a maior parte do comércio entre Mercosul e União Europeia ocorrerá sem restrições quantitativas.
O acordo reúne 31 países, um mercado consumidor de cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a US$ 22 trilhões.
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