Violência desafia sete em cada 10 escolas públicas


Por Redação

06/05/2026  às  22:30:59 | | views 3871


© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Levantamento da Fundação Carlos Chagas e do MEC aponta dificuldades de gestores para enfrentar bullying, racismo e outras formas de violência no ambiente escolar


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Sete em cada dez gestores de escolas públicas afirmam ter dificuldade para lidar com temas relacionados à violência no ambiente escolar, como bullying, racismo e capacitismo. É o que aponta uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

 

O levantamento ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas — 59 municipais e 46 estaduais — em dez estados brasileiros entre março e julho de 2025. Segundo o estudo, 71,7% dos entrevistados relataram dificuldades para promover diálogos sobre enfrentamento às violências dentro das unidades de ensino.

 

A pesquisa servirá de base para o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, iniciativa do governo federal que será lançada nesta quinta-feira pelo canal oficial do MEC no YouTube.

 

Coordenador do estudo, o pesquisador Adriano Moro afirma que o enfrentamento da violência escolar exige preparo e planejamento. Segundo ele, um dos principais obstáculos é a naturalização de comportamentos agressivos.

 

“Em alguns casos, adultos da escola veem agressões como ‘brincadeiras’. Isso diminui a gravidade das situações e pode levar à omissão”, afirmou em entrevista à imprensa.

 

O pesquisador destacou ainda que muitas escolas estão inseridas em contextos sociais marcados pela violência fora do ambiente escolar, além de enfrentarem dificuldades para envolver famílias e comunidades nas ações preventivas.

 

Outro problema apontado pelo estudo é o uso genérico do termo bullying para diferentes tipos de violência. De acordo com Moro, isso pode ocultar práticas específicas, como racismo, xenofobia, violência de gênero e preconceito contra pessoas com deficiência.

 

Além das dificuldades no enfrentamento das violências, a pesquisa identificou outros desafios no cotidiano escolar. Cerca de 67,9% dos gestores relataram obstáculos na aproximação entre escola, famílias e comunidade. Outros 64,1% apontaram problemas na construção de boas relações entre estudantes.

 

O estudo também revelou que 60,3% das escolas enfrentam dificuldades para desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos e para melhorar a relação entre estudantes e professores. Já 49% citaram desafios para promover sensação de segurança entre os estudantes.

 

Segundo os pesquisadores, mais da metade das escolas participantes (54,8%) nunca realizou um diagnóstico estruturado sobre o clima escolar, considerado essencial para orientar políticas de convivência e aprendizagem.

 

Apesar disso, 67,6% das unidades informaram possuir equipes responsáveis por ações voltadas à melhoria do ambiente escolar. Nas demais instituições, as iniciativas ficam sob responsabilidade direta da gestão.

 

A pesquisa foi divulgada na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho voltado à formulação de políticas de combate ao bullying e ao preconceito na educação. O grupo terá prazo inicial de 120 dias para apresentar propostas e recomendações ao MEC.



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