A produção industrial brasileira avançou 0,9% em fevereiro, na comparação com janeiro, registrando o segundo resultado positivo consecutivo no ano. Apesar da melhora, o desempenho ainda não altera o quadro de recuperação lenta do setor, que permanece 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em 2011.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (2). No acumulado de 2026, a indústria registra alta de 3%.
Embora o resultado indique recomposição parcial após perdas no fim de 2025, analistas apontam que o avanço recente tem caráter pontual, associado principalmente à normalização do ritmo produtivo após paralisações e férias coletivas no período anterior.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o crescimento de fevereiro pode estar ligado à recomposição de estoques em diferentes segmentos — movimento que, por si só, não indica uma retomada consistente da demanda.
O desempenho positivo foi disseminado, com expansão em 16 dos 25 ramos pesquisados e nas quatro grandes categorias econômicas. Entre os destaques, o setor de veículos automotores cresceu 6,6%, enquanto o de derivados de petróleo e biocombustíveis avançou 2,5%.
Ainda assim, parte da alta reflete a recuperação de quedas recentes. A indústria automobilística, por exemplo, havia recuado no fim do ano passado e agora recupera parte dessas perdas, o que relativiza o impacto do crescimento atual.
Outros segmentos relevantes seguem em retração. A produção de produtos farmoquímicos e farmacêuticos caiu 5,5% em fevereiro, aprofundando o recuo já observado em janeiro. Também registraram queda os setores de produtos químicos (-1,3%) e metalurgia (-1,7%).
Mesmo com o resultado positivo no curto prazo, o setor industrial continua operando acima do nível pré-pandemia, mas distante de uma trajetória sustentada de crescimento. Para especialistas, o cenário reflete desafios estruturais, como baixa competitividade, custos elevados e incertezas no ambiente econômico.
Nesse contexto, a recuperação da indústria ocorre de forma desigual e ainda sem sinais claros de consolidação, o que mantém dúvidas sobre a capacidade de o setor ganhar tração nos próximos meses.