Retorno do El Niño em 2026 amplia risco climático e pressiona mercado de seguros
Por Redação
24/02/2026 às 08:52:00 | | views 3943
Fenômeno deve intensificar eventos extremos no país e reforça debate sobre gestão preventiva e proteção patrimonial
A confirmação do retorno do El Niño em 2026 reacende o alerta para a intensificação de eventos climáticos extremos no Brasil. Análises meteorológicas recentes indicam que o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial pode se consolidar já no primeiro semestre, com potencial de provocar chuvas irregulares, tempestades severas, ondas de calor e estiagens prolongadas ao longo do ciclo.
O fenômeno altera padrões atmosféricos e influencia diretamente o regime de precipitação na América do Sul. Em ciclos anteriores, esteve associado a enchentes, deslizamentos, perdas agrícolas e prejuízos bilionários. A combinação entre maior variabilidade climática e alta concentração urbana amplia o risco de alagamentos, danos estruturais e interrupções operacionais em diferentes setores da economia.
Para o mercado de seguros, o cenário aponta para uma mudança estrutural na percepção de risco. Segundo Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, eventos com recorrência estatística deixam de ser tratados como situações pontuais. “Quando um fenômeno climático passa a apresentar previsibilidade, ele exige planejamento financeiro estruturado, tanto de famílias quanto de empresas”, afirma.
O impacto econômico, segundo o executivo, vai além dos danos físicos. Interrupções de atividades, perda de receita e dificuldades para recompor fluxo de caixa podem comprometer especialmente pequenos e médios negócios. “Alguns dias de paralisação já são suficientes para afetar a sustentabilidade da operação”, diz.
A perspectiva de intensificação dos extremos climáticos ao longo de 2026 também reforça a necessidade de revisão periódica de apólices, adequação de coberturas ao perfil regional de exposição e mapeamento técnico de vulnerabilidades. Especialistas avaliam que o seguro tende a ocupar posição mais estratégica na agenda de gestão de risco corporativo, deixando de ser acionado apenas após a ocorrência de desastres.
Em um ambiente de maior instabilidade climática, a discussão sobre adaptação e resiliência ganha espaço na agenda econômica nacional. O retorno do El Niño consolida a percepção de que eventos extremos já integram o cenário recorrente de risco, com impactos diretos sobre infraestrutura, cadeias produtivas e estabilidade financeira.
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