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Escassez de GPUs evidencia risco geopolítico para expansão da IA


Por Redação

14/01/2026  às  11:32:43 | | views 5206


@Pixabay

Falta de placas de vídeo pressiona empresas, governos e centros de pesquisa, mostrando vulnerabilidade da cadeia global de semicondutores


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A crescente demanda por inteligência artificial (IA) generativa expôs fragilidades críticas na cadeia global de semicondutores, com a escassez de placas de vídeo afetando não apenas gamers, mas também empresas, governos e centros de pesquisa. Especialistas alertam que a dependência de poucos fabricantes e a tensão geopolítica entre Estados Unidos e China tornam o fornecimento de GPUs um ponto estratégico de vulnerabilidade para a economia digital.

 

Segundo Abner Crivellari, fundador da DIOTI e especialista em infraestrutura para IA, o treinamento de modelos de linguagem e visão computacional exige milhares de GPUs operando simultaneamente, elevando a procura a níveis sem precedentes. “A GPU deixou de ser apenas um componente de hardware e passou a ser o motor central da economia da IA”, afirma.

 

O problema é intensificado pela concentração industrial: mais de 90% dos semicondutores de última geração são produzidos por poucas empresas asiáticas, como a taiwanesa TSMC. A construção de novas fábricas demanda anos e investimentos bilionários, deixando a oferta permanentemente defasada em relação à demanda.

 

Além das limitações industriais, a geopolítica influencia diretamente o mercado. Restrição à exportação de GPUs avançadas para empresas chinesas e políticas como o CHIPS Act nos Estados Unidos e iniciativas europeias buscam reduzir a dependência de fornecedores externos e garantir soberania tecnológica. “A guerra dos chips não é apenas comercial, é uma disputa por poder econômico e influência no desenvolvimento da IA”, explica Crivellari.

 

A escassez reflete-se nos preços e na capacidade de execução de projetos. GPUs voltadas para data centers chegaram a ter alta superior a 40% em alguns períodos, e pequenas e médias empresas frequentemente precisam adiar projetos ou recorrer a serviços de nuvem, que também enfrentam alta demanda. Empresas buscam otimização de modelos ou contratos de longo prazo para mitigar o impacto, mostrando que a eficiência em hardware deixou de ser apenas técnica e passou a ser estratégica.

 

Especialistas alertam que a normalização do mercado não é esperada no curto prazo, diante do crescimento contínuo da IA em setores como saúde, finanças e indústria, e da instabilidade geopolítica persistente. Para Crivellari, a escassez atual evidencia que a transição para uma economia baseada em dados depende tanto de software quanto de decisões industriais e políticas que definirão os líderes da próxima década.



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