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Abin aponta eleições e ataques com IA como desafios para 2026


Por Redação

02/12/2025  às  08:34:12 | | views 5041


© Antonio Cruz/Agência Brasil

Agência antecipa riscos à segurança do Estado e da democracia em relatório público


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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) identificou a segurança do processo eleitoral e ataques cibernéticos com inteligência artificial (IA) como os principais desafios para 2026, ano das eleições gerais no país. A previsão consta da publicação Desafios de Inteligência – Edição 2026, divulgada nesta terça-feira (2), que reúne análises sobre riscos à segurança do Estado, da sociedade e da democracia.

 

O documento destaca cinco áreas críticas: proteção das eleições; transição para criptografia pós-quântica; ameaças cibernéticas autônomas com IA; reconfiguração das cadeias globais de suprimento; e dependência tecnológica, atores não estatais e interferência externa.

 

Segundo o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, a agência acompanhou a intensificação de dinâmicas internacionais como a competição estratégica entre EUA e China, além do uso de instrumentos econômicos como fatores de pressão política na América Latina. Corrêa também apontou o crescimento da influência da IA como um vetor de risco, com potencial para ataques autônomos capazes de planejar, executar e adaptar operações cibernéticas de forma independente.

 

No âmbito eleitoral, o relatório classifica como complexas as ameaças à integridade do pleito, incluindo tentativas de deslegitimar instituições democráticas, disseminação de desinformação em larga escala e a atuação do crime organizado em determinados territórios. A Abin lembra os episódios de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas, como exemplo de impactos de manipulação de massas e fragilidade institucional.

 

O relatório também alerta para vulnerabilidades tecnológicas. Segundo a agência, a dependência de hardwares e serviços estrangeiros e a concentração de dados em grandes empresas de tecnologia colocam em risco a soberania digital do país. A transição para criptografia pós-quântica é considerada essencial para manter a segurança de comunicações e transações digitais nos próximos anos.

 

Outros riscos destacados incluem a reconfiguração das cadeias globais de suprimento, impulsionada por disputas comerciais entre potências; impactos das mudanças climáticas, como secas na Amazônia e inundações no Rio Grande do Sul, que em 2024 geraram perdas estimadas em R$ 13 bilhões; e desafios ligados à energia, segurança alimentar e migração, especialmente em áreas fronteiriças.

 

No campo demográfico, a Abin aponta o envelhecimento populacional e a saída de profissionais qualificados como fatores que exigirão ajustes na prestação de serviços e na segurança nacional. A agência também alerta para a crescente disputa por recursos estratégicos na América do Sul, como lítio, terras raras, petróleo e recursos naturais da Bacia Amazônica, em meio à intensificação da presença econômica e militar de China e EUA na região.

 

O relatório reforça que, apesar de avançar em cibersegurança e tecnologias digitais, o Brasil permanece em um cenário de “multipolaridade desequilibrada”, no qual os desafios de soberania tecnológica, estabilidade eleitoral e proteção contra ameaças digitais se tornam centrais para a segurança do Estado e da sociedade.



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