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Bolsonaro culpa “paranoia”, mas Justiça mantém prisão


Por Redação

23/11/2025  às  14:16:03 | | views 4043



Juíza homologa detenção e reforça falta de credibilidade na versão do ex-presidente


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A Justiça manteve neste domingo (23) a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar da tentativa da defesa de justificar a violação da tornozeleira eletrônica com um episódio de “paranoia” causada por medicamentos. Para a juíza Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, responsável pela audiência de custódia, não houve qualquer irregularidade na ação policial — mas sobraram dúvidas sobre a explicação apresentada pelo réu.

 

Bolsonaro admitiu ter usado uma ferramenta de solda para manipular o equipamento de monitoramento na madrugada de sexta (21) para sábado, mas alegou que a atitude ocorreu após interações de remédios que teriam afetado sua percepção. A versão, no entanto, não altera o fato de que a tentativa foi registrada pelo sistema e gerou alerta imediato aos agentes responsáveis.

 

Explicação frágil e contradições

O ex-presidente negou intenção de fuga e sustentou que parou a ação assim que “recuperou a clareza”. Mas o ato ocorreu justamente na véspera de sua prisão, e envolveu, segundo a PF, uso deliberado de solda — um método que não sugere impulsividade, mas planejamento.

 

Bolsonaro ainda afirmou que nenhum familiar presente em casa testemunhou o episódio, o que reforça a dificuldade de corroborar sua versão.

 

Vigília política

A convocação de uma vigília organizada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, nas proximidades da residência do ex-presidente, também foi citada na decisão que levou à prisão preventiva. A defesa minimiza o risco, mas o contexto levanta questionamentos sobre mobilização política diante de um monitoramento judicial ativo.

 

STF vai analisar prisão preventiva

A Primeira Turma do STF analisa nesta segunda (24) a prisão preventiva, após o ministro Alexandre de Moraes destacar risco concreto de fuga. A tentativa de violação da tornozeleira, a vigília e pedidos sucessivos de substituição por prisão domiciliar intensificaram a desconfiança sobre as reais intenções do ex-presidente.

 

Condenação pesada aproxima nova etapa

Bolsonaro já foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista, e seus recursos vêm sendo rejeitados. Com o fim do prazo final para novos pedidos neste domingo, a execução das penas deve avançar — e o episódio da tornozeleira adiciona mais um capítulo de constrangimento político e jurídico a sua situação.



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