• PUBLICIDADE

Prisão de Bolsonaro expõe tensão com STF e novas violações


Por Redação

22/11/2025  às  09:15:54 | | views 4041



Moraes menciona risco de fuga, tumulto e descumprimento de medidas cautelares


Ouça esta reportagem

A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, decretada neste sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, reacende o debate sobre o limite das ações do ex-presidente e a sucessão de desafios impostos às instituições desde sua condenação no caso da trama golpista. Moraes fundamenta a decisão na convocação de uma vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo o ministro, poderia gerar tumulto e até facilitar uma “eventual tentativa de fuga do réu”.

 

O tom da decisão evidencia o desgaste crescente entre Bolsonaro e o sistema de Justiça. Moraes afirma que houve violação da tornozeleira eletrônica durante a madrugada, episódio comunicado pelo Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal. Para o ministro, a falha no equipamento reforça a intenção do ex-presidente de burlar o monitoramento:
“A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho.”

 

A medida acrescenta ainda mais rigor ao regime a que Bolsonaro está submetido. Moraes determinou audiência de custódia por videoconferência neste domingo (23), atendimento médico contínuo e novos limites de visitas — agora restritas a advogados e equipe de saúde, salvo autorização do Supremo.

 

A decisão vai além do episódio da vigília. O ministro citou como agravante o fato de Alexandre Ramagem, condenado no mesmo processo, ter deixado o país e se instalado em Miami, nos Estados Unidos. Para Moraes, o caso reforça o temor de fuga conjunta ou articulada entre aliados próximos do ex-presidente.

 

Desde 4 de agosto, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após descumprir medidas cautelares impostas pelo Supremo, como o uso obrigatório de tornozeleira, a proibição de acessar embaixadas, de manter contato com autoridades estrangeiras e de utilizar redes sociais — diretamente ou por intermediários. Mesmo assim, episódios recentes levantaram dúvidas sobre sua disposição de cumprir integralmente as restrições.

 

Condenado a 27 anos e três meses de prisão, o ex-presidente pode ter a pena executada nas próximas semanas. A prisão preventiva, entretanto, marca um novo capítulo da tensão entre Bolsonaro e as instituições, expondo o impasse entre o discurso político de seus aliados e as evidências que sustentam as medidas judiciais adotadas.


Confira nesse link a íntegra da decisão do ministro Moraes



Comentários desta notícia 0



Comentários - ver todos os comentários


Seja o primeiro a comentar!

© Copyright 2002-2019 SEGNEWS - Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Rede SegComunicação. SEGNEWS e SEGWEB são marcas da BBVV Editora Ltda, devidamente registradas pelas normas do INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial.