Brasil avança na agenda do hidrogênio e da captura de carbono


Por Redação

16/06/2025  às  10:45:13 | | views 3870


@ Wellington Henrique e Leonardo Cirqueira

Eventos técnicos no Rio mostram amadurecimento institucional e desafios persistentes para consolidar transição energética de baixo carbono


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O Brasil demonstrou avanços importantes no debate sobre transição energética durante a realização do Hydrogen Expo South America e do Carbon Capture Expo South America, que ocorreram nos dias 11 e 12 de junho, no Rio de Janeiro. Com mais de 3 mil participantes, 70 expositores e 40 horas de conteúdo técnico, os eventos reuniram especialistas do setor público, privado e da sociedade civil para discutir o papel do país na economia do hidrogênio de baixa emissão e nas tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS).

 

As conferências paralelas, Hydrogen Conference e CCS Tech Summit, destacaram a evolução regulatória e institucional do país. Um dos principais marcos apontados foi a aprovação do marco legal do CCS, considerado um passo decisivo para destravar novos investimentos. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de garantir a implementação eficiente dessa regulamentação e o fortalecimento dos mecanismos de governança e controle.

 

“Pela primeira vez, tivemos um debate mais técnico, colaborativo e menos introdutório”, avaliou Nathália Weber, da iniciativa CCS Brasil. Para ela, a participação ativa de todos os setores envolvidos — governo, empresas, academia e sociedade civil — demonstra um amadurecimento importante do diálogo. Nathália ressaltou ainda a apresentação de um estudo internacional de benchmarking, desenvolvido de forma coletiva, como uma das contribuições concretas da edição.

 

Hidrogênio deixa o campo das promessas

Do lado do hidrogênio, o tom também foi de avanço, mas com ressalvas. Para o curador técnico da conferência, Ansgar Pinkowski, a principal mudança foi a percepção de que a chamada economia do hidrogênio começa a se consolidar. “Vimos projetos sendo apresentados por empresas com planos sólidos, portos se preparando para exportação e cadeias logísticas começando a se estruturar”, afirmou.

 

Contudo, Pinkowski alertou que o processo ainda exige tempo, perseverança e coordenação. A ausência de definições claras sobre financiamento, infraestrutura e políticas de incentivo pode atrasar a transformação da cadeia em um sistema economicamente viável e competitivo em escala global.

 

Brasil no radar internacional

Durante o evento, foi anunciado que a partir de 2026, as conferências passarão a integrar a plataforma internacional Hyvolution, presente na França, Chile e Canadá. A primeira edição brasileira com essa marca está marcada para os dias 26 e 27 de agosto de 2026, no Riocentro. A expectativa é reunir 6 mil visitantes qualificados e mais de 100 expositores de 14 países.

 

A mudança visa integrar o Brasil a uma agenda global mais estruturada sobre o tema. No entanto, o anúncio levanta também questionamentos sobre a capacidade do país em acompanhar o ritmo de inovação dos países centrais da transição energética, especialmente diante de gargalos estruturais, como incertezas regulatórias, ausência de infraestrutura adequada e entraves ambientais.

 

Apesar dos avanços, o consenso entre os participantes é que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos para consolidar seu papel como líder da nova economia de baixo carbono. A crescente maturidade dos debates é um sinal positivo, mas a urgência da crise climática exige mais do que bons eventos e intenções — requer ação coordenada, recursos e compromisso político de longo prazo.



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