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Rio amanhece em calma após operação mais letal da história


Por Redação

29/10/2025  às  07:26:06 | | views 2396


© Fernando Frazão/Agência Brasil

Após 64 mortes e um dia de caos com ruas bloqueadas e ônibus incendiados, cidade retoma a rotina, enquanto persistem dúvidas sobre a eficácia e os custos humanos da política de confronto.


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O Rio de Janeiro despertou, nesta quarta-feira (29), com ruas livres e transportes funcionando normalmente, como se a cidade tentasse apagar da memória o dia de terror vivido na véspera. A terça-feira (28) foi marcada pela operação policial mais letal da história do estado, com pelo menos 64 mortos — número que, mais do que estatística, expõe a fragilidade das políticas de segurança pública fluminense.

 

A ação, realizada contra o Comando Vermelho, provocou uma resposta imediata dos criminosos: 35 ruas foram interditadas com ônibus atravessados, barricadas e incêndios em diferentes pontos da cidade. O cenário de guerra urbana paralisou o Rio durante horas, revelando, mais uma vez, o abismo entre as forças de segurança e a capacidade do Estado de garantir ordem sem recorrer à barbárie.

 

Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR), a cidade retornou às 6h ao estágio 1, o mais baixo em uma escala de cinco níveis de alerta. Na prática, isso significa que “não há ocorrências de grande impacto”. No entanto, o discurso oficial de normalidade parece contrastar com a dimensão humana da tragédia — dezenas de famílias ainda buscam informações sobre os mortos e feridos da operação.

 

Durante a madrugada, todas as vias bloqueadas foram liberadas, incluindo a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, última a ser desobstruída, às 2h45. O sistema de transportes, que na terça teve 200 linhas interrompidas e 71 ônibus usados como barricadas, voltou a operar sem alterações. O COR informou que metrô, trens, BRT, VLT e barcas funcionam normalmente nesta manhã.

 

Mas a aparente tranquilidade desta quarta contrasta com o sentimento de medo e desconfiança que paira sobre a população. A operação, apresentada pelo governo como um golpe certeiro contra o crime organizado, levanta questionamentos sobre a eficácia e a ética da política de confronto que há décadas marca a segurança pública do Rio.

 

Em uma cidade onde a normalidade é retomada no mesmo ritmo em que se contam corpos, a sensação é de que a rotina volta — mas a paz, não.



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