Forças de segurança revelam bastidores da guerra contra o crime organizado no Brasil
Por Redação
25/10/2025 às 12:11:36 | | views 2396
Autoridades do Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul destacam, durante o COP Internacional, como a interoperabilidade entre polícias tem fortalecido o enfrentamento a facções e ao tráfico em todo o país
O avanço do crime organizado e a necessidade de atuação integrada entre as forças de segurança foram os principais temas discutidos no painel “Interoperabilidade entre as forças de segurança no combate ao crime organizado”, realizado nesta sexta-feira (25) durante o Congresso de Operações Policiais (COP Internacional), em São Paulo.
O debate reuniu representantes do Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul, que apresentaram experiências e resultados obtidos com a troca de informações e a coordenação entre instituições estaduais e federais. Participaram o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, o comandante-geral da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos, e o chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, coronel Cássio Araújo de Freitas.
Complexidade do cenário fluminense
Durante sua fala, Curi destacou os desafios enfrentados no Rio de Janeiro, marcado pela presença de múltiplas facções e grupos milicianos. Segundo o secretário, o domínio territorial e o controle econômico das comunidades passaram a ser a principal fonte de renda das organizações criminosas.
“Hoje, a venda de drogas representa apenas 10% a 15% da atividade das facções. O que sustenta o crime é o controle sobre serviços como energia, transporte e construções irregulares. Território é sinônimo de receita”, afirmou.
Curi ressaltou ainda o papel da integração entre as forças, citando a atuação conjunta da Polícia Civil com a Polícia Militar, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal em operações diárias e em comitês como o CIFRA (Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos) e a FICCO-RJ (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado).
“Vivemos uma situação de guerra sob uma legislação desconectada dessa realidade. É preciso tratar esses criminosos como terroristas”, defendeu.
Fronteiras sob vigilância
Do Mato Grosso do Sul, o coronel Renato dos Anjos destacou a posição estratégica do estado nas rotas do tráfico internacional, que liga Paraguai, Bolívia e o restante do país.
“Não produzimos drogas nem armas, mas tudo passa por aqui. O trabalho integrado é essencial para o controle dessa fronteira”, explicou.
Segundo ele, a cooperação entre forças de segurança na região tem raízes desde os anos 1980 e hoje se consolida na atuação conjunta entre o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e a Delegacia de Fronteira, que compartilham estrutura e inteligência. Mesmo com efetivo reduzido, o coronel destacou que a integração tem sido fundamental no enfrentamento ao tráfico, contrabando e descaminho.
Integração como caminho
Encerrando o painel, o coronel Cássio Araújo de Freitas afirmou que o Brasil enfrenta “um dos cenários mais desafiadores do mundo” para a operação policial e que a interoperabilidade é essencial para resultados consistentes.
“O crime é organizado, e a resposta do Estado precisa ser igualmente estruturada”, disse.
O oficial revelou que, em São Paulo, a integração entre as forças triplicou as apreensões de armas e drogas em regiões como a Baixada Santista. Ele alertou, porém, para a necessidade de combater os pilares que sustentam o crime organizado — economia ilícita, domínio territorial e cultura criminal — para evitar uma aproximação entre crime e terrorismo.
“O crime organizado é a maior doença do país. Se não formos nós a enfrentá-lo, quem será?”, questionou.
Freitas reforçou que a interoperabilidade já é uma realidade, mas depende de continuidade administrativa. “O tema segurança pública atingiu o inconsciente coletivo. Agora é o momento de consolidar estruturas e convênios para garantir integração permanente”, concluiu.
COP Internacional reúne especialistas de oito países
Em sua quinta edição, o Congresso de Operações Policiais – COP Internacional é considerado o maior evento do setor. Em 2025, o encontro oferece mais de 44 horas de programação, com a participação de 15 mil congressistas, 84 expositores, 88 palestrantes e delegações de oito países — entre eles Turquia, Suécia, Israel, Áustria, Estônia, Estados Unidos, França e Brasil.
O evento ocorre até 18h deste sábado (25), no São Paulo Expo, na capital paulista. Mais informações no site https://cop.international
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