Latrocínio recua em SP, mas homicídios e feminicídios em alta
Por Redação
01/08/2025 às 09:21:37 | | views 3966
Apesar da queda histórica no número de roubos seguidos de morte, outros indicadores de violência expõem limites da segurança pública no estado
O governo paulista anunciou com entusiasmo a queda no número de latrocínios (roubos seguidos de morte) no primeiro semestre de 2025, que atingiu seu menor índice em 25 anos. Foram 69 casos registrados entre janeiro e junho — uma redução de 22,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em junho, o número chegou a 11 ocorrências em todo o estado.
A redução é expressiva em algumas regiões, como São José dos Campos (de oito para dois casos) e Campinas (de sete para um). Na capital, também houve queda: de 26 para 21 latrocínios.
Contudo, ao olhar o cenário completo da violência, os dados trazem um contraponto incômodo: os homicídios dolosos — aqueles em que há intenção de matar — aumentaram ligeiramente no semestre, passando de 1.230 casos em 2024 para 1.241 em 2025. Somente em junho, foram 212 assassinatos registrados.
Além disso, os feminicídios continuam a crescer: 128 mulheres foram mortas no primeiro semestre de 2025 por razões ligadas ao gênero, sete a mais do que no mesmo período do ano anterior. Um dado que enfraquece a ideia de avanço amplo no combate à violência.
Violência contra mulheres
Embora a redução dos latrocínios deva ser reconhecida, especialistas em segurança pública alertam para a necessidade de cautela ao interpretar os números como sinal de melhora generalizada. Violência letal contra mulheres, aumento nos homicídios e estabilidade nos estupros indicam que o sistema de segurança continua falhando em proteger populações vulneráveis.
Mesmo os dados de estupro, que caíram 16,2% apenas em junho, não sustentam uma tendência clara: no acumulado do semestre, o número de boletins de ocorrência aumentou 2,1% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando 7.254 casos registrados — número que, segundo especialistas, ainda representa uma subnotificação frente à realidade.
Segurança pública
A queda nos latrocínios — um crime que, em geral, mobiliza mais visibilidade por envolver vítimas que não conheciam seus agressores — pode refletir estratégias pontuais de policiamento ostensivo ou de repressão em áreas urbanas centrais. No entanto, a violência doméstica e os homicídios comuns, muitas vezes relacionados à ausência de políticas sociais, prevenção e acesso à justiça, seguem acontecendo em ritmo preocupante.
Nesse contexto, a celebração do dado isolado de queda em roubos seguidos de morte parece destoar da complexidade do problema. Sem um olhar mais amplo, a narrativa oficial corre o risco de reforçar uma política de segurança fragmentada, que trata sintomas específicos, mas ignora causas estruturais.
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