Especialistas alertam para riscos cibernéticos em alta no Brasil
Por Redação
30/07/2025 às 09:38:58 | | views 2334
Ransomware com tripla extorsão, fraudes com deepfakes e falhas em APIs estão entre os principais riscos mapeados por analistas de segurança digital
O Brasil segue em estado de atenção no campo da cibersegurança. Após um primeiro semestre marcado por ataques de grande escala — como a ofensiva contra a C&M Software, que atingiu seis instituições financeiras e é considerada a maior já registrada no país —, especialistas apontam que o segundo semestre de 2025 deve manter o ritmo de crescimento das ameaças digitais, com destaque para vetores mais sofisticados e de alto impacto.
A análise foi feita por profissionais do setor com base em relatórios de inteligência cibernética e em incidentes recentes registrados no Brasil e no exterior. Entre os riscos mais relevantes estão a intensificação de ataques com ransomware, o uso de deepfakes em tempo real para fraudes corporativas, o aumento de vulnerabilidades em APIs financeiras, ameaças à cadeia de suprimentos de software e o avanço do phishing alimentado por inteligência artificial.
A seguir, os cinco principais vetores de ameaça destacados por especialistas:
1 - Ransomware com tripla extorsão
A nova geração de ransomware adiciona uma terceira camada de pressão às vítimas: além da criptografia de arquivos e vazamento de dados, os criminosos agora recorrem a ataques de negação de serviço (DDoS). Segundo relatório da Axis Insurance, os ataques com ransomware cresceram 149% no primeiro semestre de 2025, sendo que cerca de um terço já utilizam o modelo de tripla extorsão. Instituições ligadas ao sistema financeiro, como bancos e fintechs, estão entre os alvos mais frequentes.
2. Fraudes com deepfakes em tempo real
A clonagem de voz e vídeo passou a ser usada em golpes do tipo BEC (Business Email Compromise) com interações em tempo real. Casos recentes mostram que criminosos conseguem simular a aparência e o comportamento de executivos para fraudar operações financeiras. Em 2025, os prejuízos globais causados por esse tipo de golpe já ultrapassaram US$ 200 milhões, segundo levantamento da Veriff.
3. Ataques à cadeia de suprimentos de software
O comprometimento de bibliotecas e plataformas de software, especialmente em modelos open source, tem crescido de forma acelerada. Um exemplo recente foi o incidente com a Groundhogg, que distribuiu malware por meio de uma atualização oficial. Dados da ReversingLabs mostram um aumento de 1.300% em pacotes maliciosos desde 2020. No Brasil, medidas como a exigência de um inventário detalhado de componentes de software (SBOM) passaram a ser incorporadas a contratos com instituições financeiras.
4. Vulnerabilidades em APIs financeiras
O avanço do Open Finance ampliou a dependência de APIs (interfaces de programação), mas também abriu brechas de segurança. O ataque à C&M Software, em julho, expôs falhas graves e levou ao vazamento de dados e à interrupção de serviços. Segundo a Akamai, 88,7% das instituições financeiras sofreram ataques a APIs no último ano, com foco em falhas de autenticação e autorização.
5. Phishing com IA e mensagens hiperpersonalizadas
A inteligência artificial tem sido usada para criar e-mails de phishing com conteúdo mais convincente, livre de erros e adaptado ao perfil da vítima. Segundo a Hoxhunt, 82% dos e-mails de phishing registrados em 2025 foram gerados com apoio de IA, apresentando uma taxa de clique 17% maior em comparação a campanhas tradicionais.
Como mitigar os riscos
Especialistas recomendam a adoção de práticas mais rigorosas de segurança digital, como autenticação multifator com tokens físicos, auditoria de fornecedores e uso de ferramentas específicas para proteção de APIs. Também são sugeridos treinamentos internos com simulações de ataques baseados em IA e deepfakes, além da exigência de inventários de software como o SBOM.
Em caso de suspeita de ataque, as orientações incluem: isolar o dispositivo sem desligá-lo, trocar senhas a partir de um terminal seguro, comunicar a instituição financeira, registrar boletim de ocorrência e acionar equipes especializadas para análise forense.
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