Discurso inadequado de Jerome Powell sobre juros, diz Messem


Por Redação

09/05/2022  às  09:25:49 | | views 79



Gustavo Bertotti, economista-chefe, lembra que a inflação está muito forte a nível global e talvez fosse preciso deixar a porta aberta para um aumento de juros maior em junho


O discurso do presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, descartando um aumento de 0,75 ponto percentual na reunião de julho do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) foi inadequado para o momento do mercado. A avaliação é do economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti. "Fechar as portas para um aperto monetário mais acelerado não parece o movimento mais apropriado por parte do Federal Reserve. A inflação está muito forte a nível global e talvez ele tivesse que deixar a porta aberta para um aumento de juros maior em junho" diz. Para ele, o movimento de baixa vem após o mercado digerir de forma mais definitiva o discurso do presidente do banco central norte-americano.

 

Segundo o economista, boa parte dos analistas de mercado trabalhavam com a hipótese de um aumento mais significativo nos juros norte-americanos. O rali da segunda metade de pregão de quarta acabou, portanto, não se pagando. "Promoveu um rali, mas o mercado assimilou a realidade, ou seja, entendendo que a inflação é persistente, que pode ganhar mais força com guerra, com China e com desaceleração econômica. A fala dele não foi de acordo com o que a gente está vendo no mundo", explica.

 

Para o economista, um discurso menos dovish (adotado para indicar que o juro ficará num patamar baixo) por parte de Jerome Powell poderia não ter causado o mesmo rali na segunda metade da quarta-feira. Mas, em contrapartida, o movimento de 'rebote' das bolsas mundiais talvez não aconteceria nesta magnitude que estamos vendo.

 

Além das fortes quedas de quinta-feira, o mercado amanheceu também em baixa nesta sexta-feira. Às 10h58 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 0,69%, seguindo o movimento dos mercados de Wall Street, onde os três principais índices do mercado norte-americano -- Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq Composto -- operam com fortes prejuízos.

 

Para Bertotti, os dados desta sexta-feira do payroll, que mostra a geração de empregos nos EUA, corroboram com a visão de que o Fed deveria considerar um maior aperto monetário. A geração de empregos no país surpreendeu positivamente, ficando acima do projetado pelo mercado. Os 428 mil empregos gerados em abril mostram que o mercado de trabalho e a economia norte-americana estão aquecidos, mas também destacam a necessidade do Fed combater a inflação de forma mais assertiva.

 

Copom decidiu também na quarta pela elevação da taxa Selic para 12,75% ao ano. No comunicado, o Banco Central (BC) apontou que um novo aumento, de menor magnitude, é esperado para sua reunião de junho. Para Gustavo, o Copom agiu de maneira correta e coerente com a realidade.

 

Por esse motivo, Gustavo atribui esse movimento de queda principalmente ao Federal Reserve. Mas o economista aponta que o banco central norte-americano não é o único atrasado no movimento de aperto financeiro para combater a escalada da inflação.

 

"Os Estados Unidos estão muito atrasados na retirada de estímulos. O Fed veio com um tom muito suave, muito tranquilo, para uma realidade que não é essa passada", explica. "A Europa está extremamente atrasada na questão da retirada de estímulos e ainda assim querendo impor mais sanções".

 

O fim da compra de petróleo russo até o final do ano por parte da União Europeia (UE), um plano apresentado nesta semana pela Comissão Europeia, também ajuda a colocar asteriscos nos planos de recuperação econômica global.

 

"É uma aversão ao risco global, mas parte muito do Fed. A questão da União Europeia (e o embargo ao petróleo russo), é o que faz o barril de petróleo ganhar força novamente. Existe ainda a questão do conflito na Ucrânia que parece longe de estar no fim, commodities e tudo que está ligado a energia vai continuar valorizado. O Brasil está muito atrelado ao (mercado) internacional", destaca.

 

Da China, a expectativa do mercado financeiro está voltada para o aguardado plano de estímulo a infraestrutura e a situação da pandemia de Covid-19. O crescimento econômico da potência asiática preocupa, com medidas de lockdown no país deixando o mercado em alerta nos últimos 20 dias.



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