O resultado do domingo (25) foi surpreendente, mas principalmente porque os mercados haviam se dissociado das pesquisas. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com 51,79%, sobre Flávio Bolsonaro reverteu o resultado do primeiro turno. Embora as pesquisas para o segundo turno continuassem indicando uma disputa genuinamente acirrada, a dívida externa já havia, em grande parte, precificado uma vitória de Bolsonaro após a alta dos mercados após o primeiro turno. O resultado, portanto, expôs uma clara assimetria de precificação: a aposta na eleição já estava precificada, enquanto o risco de uma vitória de Lula não estava.
Atritos de curto prazo amplificam o ajuste inicial do mercado. A rejeição do resultado por Flávio Bolsonaro gera risco institucional e de transição, reforçando a reação negativa imediata em todos os ativos brasileiros. A fraqueza do real é o principal canal de transmissão: a desvalorização eleva as expectativas de inflação e as taxas locais, aumentando o ônus dos juros do governo e as pressões fiscais gerais. Essa deterioração pode, em última instância, impor disciplina de políticas a Lula, mas é provável que os mercados exijam primeiro um prêmio de risco maior.
A atenção agora se desloca rapidamente da eleição para a equipe e o plano fiscal. Os sinais-chave serão se Lula nomeará uma equipe econômica com credibilidade junto ao mercado, se lhe dará autonomia política e se apresentará um ajuste quantificado e orientado para os gastos, com apoio do Congresso. O saldo externo do Brasil permanece resiliente, mas uma recuperação duradoura dos spreads exige reformas recorrentes nos gastos e um caminho credível de estabilização da dívida, e não medidas de receita, ações pontuais ou uma simples mudança pós-eleitoral na retórica.
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