Flávio defende endurecimento contra facções e mais segurança
Por Redação
17/10/2026 às 09:11:06 | | views 274
Em sabatina na TV Globo, senador contesta condenação de Jair Bolsonaro, apresenta propostas para a segurança pública e comenta negociação com Daniel Vorcaro para financiar filme sobre o ex-presidente
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, foi sabatinado na noite desta sexta-feira (16) pela TV Globo. Durante pouco mais de 40 minutos, falou sobre segurança pública, combate ao crime organizado, acesso a armas de fogo e os atos de 8 de janeiro de 2023. Também afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende acabar com a possibilidade de reeleição e comentou as negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro.
Questionado sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, Flávio afirmou que os atos de 8 de janeiro não configuraram uma tentativa de golpe de Estado. O senador classificou como uma “farsa” o julgamento do ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão.
“Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, afirmou.
Flávio mencionou a participação de pessoas que, segundo ele, não tinham intenção de promover um golpe e citou como exemplo uma mulher que carregava uma Bíblia, porém defendeu que destruir patrimônio público é crime e deve ser punido, mas que os casos devem ser analisados separadamente. Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes contrários ao resultado das eleições de 2022 invadiram e alguns desses participantes depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal. Os ataques deram origem a investigações e processos judiciais para apurar a participação dos envolvidos.
O senador afirmou que não discutiu com o pai a possibilidade de ocupar um cargo em seu eventual governo. Também descartou a indicação do irmão, Eduardo Bolsonaro, para o Ministério das Relações Exteriores.
“Ele é um perseguido político. Um dia será reconhecido como alguém que se sacrificou para defender a democracia”, disse Flávio sobre o irmão.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos e foi condenado pela Justiça brasileira por coação no curso do processo. O caso está relacionado a ações para pressionar autoridades brasileiras no contexto do julgamento de Jair Bolsonaro, incluindo iniciativas associadas às medidas tarifárias adotadas pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros.
Flávio afirmou ainda ser muita pretenção achar que seu irmão seria capaz de interferir em uma decisão sobre a economia dos Estados Unidos ou na própria atitude do presidente Trump.
Crime organizado
Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, pretende classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Também defendeu o aumento da vigilância nas fronteiras brasileiras e afirmou que serão necessários estudos sobre investimentos para o setor.
Sobre o acesso a armas de fogo, Flávio defendeu mudanças nas regras atuais e afirmou que o problema não está na possibilidade de o cidadão adquirir uma arma para proteger seu patrimônio, mas no uso de armamentos por pessoas envolvidas em atividades criminosas. “As armas estão nas mãos das pessoas erradas”, declarou.
Questionado sobre seu apoio a uma proposta relacionada à identificação de cápsulas de munições utilizadas pelas forças de segurança, o senador afirmou que os desafios da segurança pública são mais amplos. Defendeu a valorização das instituições policiais e disse que pretende garantir ao cidadão o direito de circular pelas ruas com tranquilidade.
Flávio também foi questionado sobre suas relações com políticos do Rio de Janeiro citados em apurações relacionadas ao crime organizado, entre eles o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella. O senador afirmou ter se surpreendido com informações sobre as relações dessas pessoas com o Comando Vermelho.
Ele defendeu o direito à ampla defesa e declarou que quem for considerado culpado deve responder à Justiça nos termos da lei.
Vorcaro e Dark Horse
A relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro também foi abordada durante a sabatina. O senador afirmou que as negociações para financiar o filme Dark Horse ocorreram no âmbito privado e dentro da legalidade.
Flávio afirmou que chegou ao nome de Vorcaro enquanto buscava possíveis investidores para o filme e que as tratativas começaram quando, segundo sua versão, ainda não havia suspeitas sobre o banco ligado ao empresário.
“E ele concordou quando não havia nada de errado [com o banco]”, declarou.
O senador também comparou a negociação com Vorcaro a relações comerciais entre empresas privadas e veículos de comunicação, como a TV Globo, incluindo contratos de publicidade e patrocínio. Afirmou que o financiamento do filme não envolveu recursos públicos e diferenciou o caso das suspeitas que atribui a integrantes do governo Lula.
Queimadas na Amazônia
Durante a entrevista, Flávio acusou o governo federal de registrar números recordes de queimadas na Amazônia. “Esse foi o outubro com maior queimada na história da nação brasileira”, afirmou.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que a Amazônia registrou 9.544 focos de calor até 15 de outubro. Mas, o monitoramento de focos de calor por satélite não corresponde necessariamente ao número de incêndios nem à área total atingida pelo fogo.
Fim da reeleição
Flávio Bolsonaro reiterou a proposta de acabar com a possibilidade de reeleição para a Presidência da República. Segundo ele, a duração do mandato seria definida pelo Congresso Nacional, e a mudança poderia valer já para o próximo mandato presidencial.
“Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do Congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”, afirmou.
O senador também defendeu impedir que parentes do presidente da República até o terceiro grau disputem a eleição seguinte. A implementação das propostas dependeria da aprovação das mudanças constitucionais necessárias.
Economia
Flávio afirmou que pretende reduzir em mais de R$ 200 bilhões a dívida da União por meio da venda de imóveis públicos que considera ociosos. Também prometeu extinguir pelo menos dez ministérios, dos 39 ministérios existentes atualmente.
Ao citar o governo de Jair Bolsonaro como referência, o senador afirmou que a gestão de seu pai reduziu cargos comissionados e promoveu mudanças na administração pública.
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