Lula defende maioridade penal menor e promete tarifa zero


Por Redação

16/10/2026  às  08:44:51 | | views 66


@reprodução/TV Globo

Em sabatina no Jornal Nacional, presidente rejeita cortes para os mais pobres, mas não detalha custos de novas medidas nem apresenta plano para equilibrar as contas públicas


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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos e prometeu tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Em sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira (15), também rejeitou cortes de gastos que atinjam os mais pobres, mas não detalhou como pretende financiar novas medidas.

 

Na segurança pública, Lula defendeu que a redução da maioridade penal seja discutida após a votação da PEC da Segurança Pública, separadamente da proposta. “Eu sou favorável a reduzir para 16 anos, mas não nessa PEC. Aprova a PEC e aí discute isso”, afirmou.

 

A declaração aproxima o presidente de uma pauta historicamente associada à oposição. Lula, porém, não apresentou detalhes sobre a aplicação da mudança nem sobre seus possíveis efeitos no combate à criminalidade.

 

O petista também defendeu ampliar a participação da União na segurança dos estados, criar um Ministério da Segurança Pública e combater a atuação de facções criminosas dentro dos presídios. Não apresentou, contudo, metas ou prazos para essas medidas.

 

Promessas sem custo definido

Na economia, Lula voltou a defender a transferência de renda como motor do crescimento e afirmou que o ajuste fiscal não deve penalizar a população mais pobre. “Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. E eu não quero que o povo pobre pague”, disse.

 

O presidente citou o reajuste de 15% no Bolsa Família, a aprovação do fim da escala 6x1 no Senado e medidas de apoio aos microempreendedores individuais (MEIs). No caso do Bolsa Família afirmou que não sabia que o valor não tinha sido reajustado. Também prometeu transporte público gratuito aos fins de semana, sem informar o custo da proposta ou de onde viriam os recursos.

 

A ausência de detalhes mantém em aberto uma questão central: como ampliar benefícios e criar novas despesas sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Lula afirmou que há espaço fiscal para algumas medidas, mas não apresentou números para sustentar a avaliação.

 

Comércio com os EUA

Sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil tem ampliado as relações comerciais com outros países para compensar perdas no mercado americano.

 

Segundo ele, enquanto o comércio com os Estados Unidos caiu 9%, as trocas com a China cresceram 20%, com a Indonésia, 15%, e com a Alemanha, 16%. O presidente não detalhou o período de comparação nem a base dos percentuais citados.

 

Lula disse preferir negociar com Washington, mas não descartou medidas de reciprocidade. “Eu não quero aplicar a Lei da Reciprocidade, mas se tiver que fazer nós vamos”, afirmou.

 

A diversificação dos mercados pode reduzir a dependência dos Estados Unidos, mas os números apresentados não permitem concluir quanto o avanço em outros países compensou as perdas provocadas pelas tarifas.

 

Na entrevista, Lula combinou o apoio ao endurecimento penal em crimes graves com a defesa de políticas sociais e novas medidas econômicas. Em temas centrais, porém, deixou sem resposta como pretende executar as propostas, financiar os benefícios e medir os resultados.



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