Falhas críticas abrem caminho para ataques a empresas
Por Redação
14/10/2026 às 09:42:57 | | views 45
Vulnerabilidades em sistemas da Microsoft, Cisco, VMware e Citrix foram exploradas poucos dias após a divulgação de correções, elevando o risco de invasões, roubo de dados e ataques de ransomware
A demora para corrigir falhas de segurança pode custar milhões às empresas. Em setembro, vulnerabilidades em sistemas da Microsoft, Cisco, VMware, Citrix, Check Point, Fortinet e F5 foram exploradas por invasores, em alguns casos poucos dias após a divulgação das correções. O alerta consta de relatório da Redbelt Security, consultoria brasileira especializada em cibersegurança, que identificou riscos em equipamentos de rede, servidores e sistemas de acesso remoto usados por organizações.
O problema é especialmente relevante porque esses recursos costumam concentrar informações e controlar partes importantes da infraestrutura corporativa. Uma invasão bem-sucedida pode permitir o roubo de credenciais, a instalação de ferramentas de acesso remoto e a disseminação de ransomware, com potencial para comprometer sistemas inteiros.
A Microsoft publicou em setembro 964 correções de segurança, o maior pacote de sua história, segundo a consultoria. Duas das vulnerabilidades corrigidas eram do tipo zero-day, ou seja, já estavam sendo exploradas antes da disponibilização de uma atualização. As falhas permitiam elevar privilégios no Windows e alcançar o nível SYSTEM, que concede amplos poderes sobre o sistema operacional.
O impacto financeiro desse tipo de incidente é expressivo. Segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025. Os ataques que exploraram vulnerabilidades responderam por 13% dos casos analisados e tiveram custo médio de R$ 7,61 milhões.
Equipamentos de rede viram alvo
Entre os casos mais graves identificados está uma falha no Cisco Secure Firewall Management Center, sistema utilizado para administrar firewalls corporativos. Com pontuação máxima de 10 na escala de severidade CVSS, a vulnerabilidade permitia que invasores remotos, sem autenticação, executassem comandos com privilégios elevados.
Segundo o relatório, a Cisco Talos identificou exploração da falha desde agosto por diferentes grupos, entre eles o Sandworm e um operador de ransomware associado ao Qilin. As invasões envolveram instalação de ferramentas para manter acesso aos sistemas, roubo de credenciais e coleta de configurações dos firewalls. Em um dos casos, os criminosos também distribuíram ransomware.
Outro alvo foi o VMware vCenter, plataforma que administra ambientes de virtualização. A Redbelt relata que uma vulnerabilidade classificada com severidade 9,8 começou a ser explorada cinco dias após a divulgação da correção. A falha permitia gravar arquivos no servidor e executar código com privilégios elevados.
Como o vCenter pode controlar dezenas ou centenas de máquinas virtuais, seu comprometimento amplia o alcance potencial de um ataque. Em vez de atingir apenas um equipamento, o invasor pode avançar pela infraestrutura e comprometer diversos sistemas, aumentando o risco de interrupção das operações e perda de dados.
Falhas também atingem acesso remoto
Os produtos da Citrix também apareceram entre os alvos. Duas vulnerabilidades no NetScaler ADC e Gateway foram incluídas no catálogo de falhas exploradas da agência de cibersegurança dos Estados Unidos, a CISA. Uma delas, inicialmente associada à negação de serviço, foi relacionada posteriormente à possibilidade de execução remota de código. A outra permitia contornar mecanismos de autenticação em equipamentos configurados para acesso remoto.
O levantamento também aponta exploração de falhas em produtos da Check Point, Fortinet e F5. Na Fortinet, uma vulnerabilidade de execução remota de código sem autenticação foi utilizada em campanhas que instalaram o PivotC2, um trojan de acesso remoto capaz de permitir que invasores mantenham presença em sistemas comprometidos.
Além das falhas já exploradas, o relatório destaca vulnerabilidades no DNS do Windows Server, no protocolo Kerberos, usado na autenticação do Active Directory, e no Remote Desktop Services. Essas falhas foram classificadas pela Microsoft como de exploração mais provável, embora não houvesse exploração pública conhecida até 11 de setembro, segundo os dados apresentados pela consultoria.
Atualização é apenas parte da resposta
A rapidez dos ataques reduz o tempo disponível para que as equipes de tecnologia identifiquem sistemas vulneráveis e instalem correções. Em alguns casos, a divulgação de detalhes técnicos sobre uma falha facilita a busca por equipamentos expostos antes que as organizações consigam atualizar seus ambientes.
Por isso, aplicar os chamados patches não é suficiente quando existe a possibilidade de uma invasão já ter ocorrido. A Redbelt Security recomenda verificar sinais de comprometimento, revisar contas administrativas, trocar credenciais e tokens potencialmente expostos e restringir o acesso externo às interfaces de gerenciamento.
“Em alguns episódios, os ataques começaram poucas horas ou dias depois de a falha se tornar conhecida”, afirma Eduardo Lopes, CEO da Redbelt Security. Segundo ele, além de corrigir os sistemas, as empresas precisam investigar possíveis sinais de invasão antes e durante o processo de atualização.
O alerta é particularmente importante para organizações que mantêm equipamentos críticos acessíveis pela internet. Nesses ambientes, uma falha não corrigida pode servir como porta de entrada para o roubo de informações, a interrupção de serviços e a propagação de ataques. A resposta exige, portanto, não apenas agilidade na atualização, mas também monitoramento contínuo e capacidade de identificar atividades suspeitas.
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