Morte em instituto de peste coloca Sibéria em alerta e leva 200 à quarentena
Por Redação
06/10/2026 às 07:18:46 | | views 58
Morte de funcionária de instituto especializado em peste mobiliza autoridades russas; OMS avalia como baixo o risco à população em geral
Uma funcionária de um instituto de pesquisa especializado em peste morreu após adoecer na região de Irkutsk, na Sibéria, levando as autoridades russas a colocar cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela sob quarentena e supervisão médica. O caso mobilizou a chefe do órgão regulador de saúde da Rússia, Anna Popova, que viajou à região para acompanhar a situação.
A morte provocou preocupação nas redes sociais diante da possibilidade de exposição a agentes infecciosos. As autoridades russas, porém, afirmaram que a situação está sob controle e que, até o momento, não há evidências de que a morte esteja relacionada ao trabalho da pesquisadora.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, com base nas informações disponíveis, o risco à saúde pública para a população em geral parece ser baixo. A entidade afirmou ainda que novas avaliações serão realizadas à medida que mais informações forem disponibilizadas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou o caso e afirmou que Washington está disposto a ajudar a Rússia. “Vamos ajudar”, disse o presidente, segundo declarações divulgadas à imprensa.
Investigação
A funcionária foi identificada pela imprensa local como Darya Shipilova, de 28 anos, integrante do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente.
As circunstâncias em que ela adoeceu ainda não foram esclarecidas. Autoridades informaram que a mulher morreu de pneumonia de etiologia desconhecida.
O órgão regulador de saúde russo, Rospotrebnadzor, afirmou que não foram encontradas evidências de um acidente envolvendo o manuseio de agentes patogênicos no instituto. A declaração ocorreu após rumores nas redes sociais de que a pesquisadora teria derrubado um tubo de ensaio contendo bactérias vivas.
Apesar disso, a chefe da Rospotrebnadzor, Anna Popova, viajou para a Sibéria e participou de uma reunião de emergência sobre o caso.
Segundo informações divulgadas pela imprensa russa, aproximadamente 200 pessoas que tiveram contato com a pesquisadora foram colocadas em quarentena. Áreas do hospital na cidade de Shelekhov, onde ela morreu, também foram isoladas. Em uma fábrica de alumínio da região, funcionários teriam sido orientados a utilizar máscaras.
Em comunicado posteriormente citado pela agência estatal Tass, a Rospotrebnadzor informou que dois casos de Covid-19 e dois de rinovírus foram identificados entre as pessoas que tiveram contato com a mulher. Segundo o órgão, nenhum outro caso de doença infecciosa havia sido registrado.
Risco de peste
A peste é uma doença causada pela bactéria Yersinia pestis, encontrada em populações de pequenos mamíferos selvagens. A transmissão pode ocorrer por meio de pulgas que parasitam esses animais.
A doença é considerada endêmica em algumas áreas da Sibéria, embora casos entre a população russa sejam raros. Em outras regiões do mundo, especialmente na África, registros de peste humana continuam ocorrendo.
A doença pode se manifestar de diferentes formas, entre elas a peste pneumônica, que afeta os pulmões e pode ser transmitida por gotículas respiratórias expelidas durante a tosse.
Quando diagnosticada rapidamente, a peste pode ser tratada com antibióticos. Sem tratamento, entretanto, a doença pode evoluir rapidamente e ser fatal.
Até o momento, as autoridades russas afirmam não ter encontrado evidências de que a morte da pesquisadora tenha sido causada pela peste ou esteja relacionada à manipulação de agentes infecciosos no instituto.
O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que a mulher morreu de “pneumonia de etiologia desconhecida” e disse que todos os contatos conhecidos foram identificados, examinados e colocados sob acompanhamento médico.
“É importante ressaltar que, nos últimos dias, não foram identificados novos casos de funcionários do Instituto Antipeste que procurassem atendimento médico”, afirmou Kobzev.
As autoridades pediram que a população mantenha a calma e informaram que a situação permanece sob controle.
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