França quer cobrar danos de responsáveis por protestos


Por Redação

05/10/2026  às  08:34:48 | | views 48


© REUTERS/Abdul Saboor/ABr

Medida será apresentada ao Senado enquanto manifestações estudantis mantêm centenas de escolas total ou parcialmente fechadas no país


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O governo da França vai apresentar ao Senado um projeto de lei que prevê a cobrança dos custos de reparação dos danos causados durante protestos aos responsáveis pelas infrações. A proposta foi anunciada nesta segunda-feira (5) pela porta-voz do Executivo, Maud Bregeon, em meio à continuidade de manifestações estudantis em diferentes regiões do país.

 

Conhecida na França como “casseurs-payeurs”, expressão que pode ser traduzida como “quem quebra, paga”, a iniciativa estabelece que os responsáveis por danos deverão arcar com multas e indenizações decorrentes das infrações. O governo também avalia utilizar benefícios sociais, incluindo o subsídio de alojamento, para recuperar valores devidos.

 

A proposta prevê ainda a possibilidade de responsabilidade compartilhada para pessoas que permaneçam em uma manifestação considerada violenta depois de uma ordem policial de dispersão.

 

Segundo Bregeon, a prioridade do governo é restabelecer a ordem diante dos episódios de violência e destruição registrados durante os protestos da última semana. A porta-voz afirmou que as reivindicações dos estudantes são distintas dos atos violentos ocorridos durante parte das manifestações.

 

Centenas de escolas fechadas

Entre 400 e 500 escolas secundárias estavam com as aulas total ou parcialmente suspensas nesta segunda-feira por motivos de segurança, de acordo com uma estimativa divulgada pelo Ministério da Educação francês no domingo.

 

Os protestos tiveram início nos últimos dias e envolvem reivindicações relacionadas à falta de professores substitutos, às condições dos edifícios escolares e à estrutura de ensino. As manifestações foram acompanhadas por bloqueios, incêndios, danos materiais e confrontos com as forças de segurança.

 

De acordo com as autoridades, 24 escolas foram incendiadas ou saqueadas desde o início das manifestações, enquanto 78 profissionais da educação ficaram feridos. O governo estima que cerca de 5 mil pessoas tenham sido detidas desde segunda-feira passada (28).

 

Governo anuncia medidas

O ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, afirmou nesta segunda-feira que teme uma ampliação da mobilização estudantil antes das manifestações previstas para terça-feira (6).

 

No domingo (4), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou um plano de ação com cinco áreas prioritárias e determinou que os ministros apresentem, até o fim do mês, medidas relacionadas às reivindicações dos estudantes.

 

Entre as ações previstas estão a garantia da continuidade das aulas, melhorias nas instalações escolares, medidas para lidar com ausências prolongadas de professores e mudanças nos processos de admissão nas universidades.

 

Lecornu também tem reunião marcada para terça-feira com os presidentes das regiões francesas para discutir a renovação das instalações educacionais. Segundo o governo, o orçamento de 2027 prevê aumento de 1,2 bilhão de euros para o Ministério da Educação.

 

Os sindicatos estudantis convocaram novas manifestações para esta terça-feira (6), com apoio de algumas organizações sindicais e entidades de professores.



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