BC corta Selic para 13,75% ao ano
Por Redação
18/09/2026 às 09:16:33 | | views 86
Redução de 0,25 ponto percentual é a quinta consecutiva, mas inflação projetada para 2026 segue acima do teto da meta
O Banco Central reduziu nesta quinta-feira (17) a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual, decidido por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), é o quinto consecutivo.
A decisão ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, mas com projeções ainda acima do limite da meta. O ambiente externo também é considerado incerto pelo Banco Central, em razão dos conflitos no Oriente Médio e das dúvidas sobre a condução da política monetária em economias desenvolvidas.
Em comunicado, o Copom afirmou que o cenário exige cautela diante da maior volatilidade nos preços de ativos e de commodities.
A inflação medida pelo IPCA registrou queda de 0,32% em agosto. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho.
Apesar da desaceleração recente, as projeções continuam acima do centro da meta de inflação. No último Relatório de Política Monetária, divulgado em junho, o Banco Central elevou de 3,9% para 5,2% a previsão para o IPCA de 2026.
As expectativas do mercado são mais baixas, mas ainda apontam para uma inflação acima do teto da meta. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, o IPCA deve encerrar 2026 em 4,9%. O teto da meta é de 4,5%.
Juros e inflação
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, o que reduz o consumo e os investimentos e diminui a pressão sobre os preços. A contrapartida é o efeito sobre a atividade econômica.
Com a redução da taxa, o crédito tende a ficar menos caro e as condições financeiras podem favorecer consumo e investimento. O movimento, porém, também pode aumentar a demanda e dificultar a convergência da inflação para a meta caso a economia esteja aquecida.
A trajetória dos juros ocorre, portanto, em meio a um equilíbrio entre o esforço para trazer a inflação para a meta e a necessidade de evitar uma desaceleração excessiva da atividade econômica.
O Copom não indicou, no comunicado, que o ciclo de cortes esteja encerrado. A evolução da inflação, das expectativas, da atividade econômica e do cenário externo deverá orientar as próximas decisões.
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