IA escreve petições em minutos, mas escolha da tese ainda exige análise do advogado
Por Redação
17/09/2026 às 08:38:32 | | views 60
Ferramentas ajudam a ganhar tempo na elaboração de peças, mas dados do segurado, legislação e jurisprudência precisam ser conferidos antes do uso
Uma petição pode ficar pronta em poucos minutos com a ajuda de uma ferramenta de inteligência artificial. Isso não significa, porém, que a tecnologia tenha escolhido a melhor tese para o processo.
Na área previdenciária, a estratégia depende de informações que variam de um caso para outro. Histórico de contribuições, registros no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documentos profissionais e períodos de atividade especial, por exemplo, podem fazer diferença na análise.
Com a expansão do uso da inteligência artificial em escritórios e também em órgãos públicos, aumenta a preocupação com a conferência do material produzido pelos sistemas. O Ministério da Previdência Social, por exemplo, ampliou iniciativas relacionadas à tecnologia nos últimos anos.
Para Thaís Bertuol Xavier, advogada e consultora jurídica do Previdenciarista, a revisão de uma petição feita com auxílio de IA não se resume a procurar erros de texto. “É comum que a revisão de uma petição produzida por inteligência artificial seja associada apenas à correção de texto. Na advocacia previdenciária, essa etapa tem outra finalidade: verificar se a peça foi construída com fundamentos consistentes, legislação e precedentes atualizados e se contempla todos os elementos relevantes do caso”, afirma.
Informação errada pode mudar a estratégia
Um dos cuidados é saber quais dados foram considerados pela ferramenta. Uma petição pode ter uma redação correta e, mesmo assim, partir de uma informação incompleta ou interpretar de maneira equivocada o histórico do segurado.
O problema ganha importância em uma área com diferentes regras de aposentadoria, períodos de transição e mudanças frequentes na legislação. A análise de um período de contribuição ou de uma atividade exercida pelo trabalhador pode levar a caminhos jurídicos diferentes.
Também é preciso conferir as decisões judiciais citadas na peça. Um precedente encontrado pela IA pode não se aplicar à situação analisada ou já não refletir o entendimento mais recente dos tribunais.
Por isso, antes de utilizar o documento, o advogado precisa conferir a legislação, os precedentes e os dados que serviram de base para a argumentação.
Onde a IA ajuda
A tecnologia pode assumir parte das tarefas mais repetitivas. Ferramentas voltadas ao Direito Previdenciário já são usadas para organizar informações de processos, analisar cálculos, sugerir teses e auxiliar na elaboração de petições.
Segundo Thaís, a inteligência artificial também pode organizar automaticamente dados a partir do número de um processo e ajudar na preparação do atendimento ao cliente.
O ganho, afirma a especialista, está principalmente na redução do tempo gasto nessas tarefas. A decisão sobre qual argumento usar no processo, contudo, continua dependendo da análise do profissional.
“A IA pode ajudar a organizar o caso e acelerar a produção da peça, mas é a revisão técnica que permite verificar se aquela informação faz sentido para o processo”, diz.
A adoção da inteligência artificial, portanto, muda parte da rotina do advogado, mas não elimina a necessidade de conferir o que foi produzido. Quanto mais a ferramenta participa da elaboração de uma peça, maior é a importância de saber quais informações foram usadas e se elas correspondem ao caso concreto.
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