Caixa cresce no crédito, mas alta da inadimplência gera risco


Por Redação

27/08/2026  às  07:15:58 | | views 5195


© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lucro recorrente sobe 5,9% no segundo trimestre, para R$ 3,9 bilhões, mas provisões quase dobram e retorno sobre o patrimônio recua


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A Caixa Econômica Federal encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões, alta de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado melhora na comparação anual, mas esconde uma deterioração em algumas das principais linhas do balanço, sobretudo na inadimplência e nas despesas para cobrir perdas com crédito.

 

No acumulado do primeiro semestre, o lucro recorrente foi de R$ 7,4 bilhões, queda de 17,6% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. Na comparação trimestral, houve avanço de 12,4%.

 

O resultado do trimestre foi sustentado principalmente pela expansão da carteira de crédito e pelo aumento da margem financeira. Os ganhos do banco com operações que envolvem juros chegaram a R$ 19,7 bilhões, alta de 20,2% em 12 meses.

 

A carteira de crédito atingiu R$ 1,448 trilhão em junho, crescimento de 11,9% em um ano. O financiamento imobiliário continua sendo o eixo do negócio da Caixa: responde por 69,4% da carteira e chegou a R$ 1,005 trilhão, alta de 15% em 12 meses.

 

Entre abril e junho, o banco contratou R$ 137,6 bilhões em novos financiamentos imobiliários, aumento de 29,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Caixa manteve participação próxima de 68% no mercado habitacional.

 

A expansão, no entanto, vem acompanhada de sinais de maior risco. A parcela da carteira com atraso superior a 90 dias subiu para 3,64%, ante 2,66% um ano antes.

 

O dado mais preocupante está no agronegócio. A inadimplência no segmento saltou de 7,02% para 20,74% em 12 meses. O índice chegou a 14,05% entre empresas e a 6,29% entre pessoas físicas.

 

No crédito imobiliário, que concentra a maior parte da carteira do banco, o indicador permanece bem mais baixo, em 1,45%. Em infraestrutura, ficou em apenas 0,03%.

 

A deterioração do crédito obrigou a Caixa a reforçar as provisões. A despesa com perdas esperadas chegou a R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, quase o dobro do registrado um ano antes, com alta de 97,6%. Na comparação com o primeiro trimestre, o aumento foi de 6,9%.

 

É justamente nesse ponto que o crescimento da carteira perde parte do brilho. Para um banco, emprestar mais pode ampliar a receita, mas também exige capital e provisões maiores quando a qualidade dos ativos piora. No caso da Caixa, o avanço expressivo das despesas com provisões mostra que o crescimento do crédito não veio sem custo.

 

A concentração no financiamento imobiliário ajuda a conter parte desse risco. Segundo a Caixa, as operações habitacionais contam, em grande medida, com garantias, o que reduz as perdas esperadas em caso de inadimplência.

 

Ainda assim, a rentabilidade do banco recuou. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 9,16% em junho, 2,7 pontos percentuais abaixo do registrado um ano antes.

 

A receita com prestação de serviços cresceu 12,9% em 12 meses, para R$ 7,54 bilhões. As despesas administrativas, porém, também avançaram, embora em ritmo menor, de 5,9%, para R$ 11,44 bilhões.

 

O balanço do segundo trimestre, portanto, apresenta uma Caixa maior, com mais crédito e maior margem financeira, mas também mais exposta à deterioração da capacidade de pagamento de seus clientes. O lucro trimestral cresceu, mas a queda no resultado acumulado, o aumento das provisões e a perda de rentabilidade indicam que a expansão do banco começa a exigir uma conta mais alta.



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