Valor das fusões e aquisições cresce 15% no primeiro semestre
Por Redação
06/08/2026 às 16:23:43 | | views 30
Relatório aponta mercado mais seletivo, com operações de maior porte; tecnologia e setor imobiliário lideram em quantidade de transações
O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimentou US$ 32,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar da redução no número de operações. Entre janeiro e junho, foram fechados 593 negócios, uma queda de cerca de 35%, segundo levantamento da Aon, em parceria com a TTR Data e a Datasite.
Os dados indicam um mercado mais concentrado em transações de maior porte. As operações tradicionais de fusões e aquisições responderam por US$ 20,3 bilhões distribuídos em 297 negócios. O segmento de aquisição de ativos somou 151 operações, com US$ 4,4 bilhões em valor agregado, enquanto investimentos de private equity movimentaram US$ 6,5 bilhões em 41 transações. No mercado de venture capital, foram registrados 106 aportes, que totalizaram US$ 1,3 bilhão.
Em volume de negócios, o setor de tecnologia permaneceu na liderança, com 104 transações envolvendo empresas de software e serviços de tecnologia da informação. O mercado imobiliário apareceu em seguida, com 98 operações, crescimento de 17% na comparação anual. Também se destacaram os segmentos de serviços profissionais e de bancos e investimentos.
Entre as maiores operações do semestre estão a aquisição da mineradora Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, por US$ 2,75 bilhões, e a compra da FS Bioenergia pela Amaggi, em uma transação estimada em cerca de US$ 1 bilhão. Segundo o levantamento, os negócios refletem o interesse de investidores por ativos ligados à mineração estratégica, transição energética e sustentabilidade.
Na avaliação da Aon, a redução do número de operações indica um ambiente mais seletivo para investidores, enquanto o aumento do capital mobilizado mostra preferência por ativos considerados estratégicos e de maior qualidade. O estudo também aponta que fatores de incerteza, como o calendário eleitoral brasileiro, tendem a influenciar o apetite de investidores estrangeiros por novos negócios de curto prazo.
Na América Latina, foram registradas 1.062 operações de fusões e aquisições no primeiro semestre, queda de cerca de 30% em relação ao mesmo período de 2025. O valor total das transações atingiu US$ 49,1 bilhões, recuo de aproximadamente 6%.
O Brasil manteve a liderança regional em número de negócios, seguido por Chile, Argentina, México, Colômbia e Peru. Enquanto alguns mercados registraram retração no volume de operações, países como Argentina, México, Colômbia e Peru apresentaram crescimento no capital movimentado, indicando uma tendência semelhante à observada no mercado brasileiro: menos transações, mas de maior valor.
O levantamento também mostra que empresas da América do Norte e da Europa seguiram como as principais investidoras estratégicas na região, enquanto companhias latino-americanas ampliaram a presença em mercados internacionais, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.
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