BC reduz Selic para 14,5% e mantém cautela com cenário externo
Por Redação
30/04/2026 às 10:19:50 | | views 58
Corte de 0,25 ponto ocorre em meio a pressões inflacionárias e incertezas provocadas por tensões no Oriente Médio
O Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia para 14,5% ao ano, no segundo corte consecutivo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão, unânime, já era esperada pelo mercado, mas ocorre em um ambiente de maior incerteza no cenário internacional.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas. A retomada dos cortes começou na reunião anterior, impulsionada por sinais de desaceleração da inflação. Agora, o movimento é mantido, ainda que sob impacto das tensões no Oriente Médio, que têm pressionado preços de combustíveis e alimentos.
Em comunicado, o Copom indicou que acompanha de perto os efeitos do cenário externo sobre a inflação e evitou sinalizar os próximos passos da política monetária. O comitê destacou que as projeções inflacionárias seguem acima da meta e que a incerteza aumentou diante da dificuldade de prever a duração e os impactos dos conflitos internacionais.
A inflação oficial, medida pelo IPCA, continua no radar da autoridade monetária. A prévia de abril, o IPCA-15, avançou 0,89%, elevando o acumulado em 12 meses para 4,37%, próximo do teto da meta, fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Pelas estimativas do mercado financeiro, a inflação deve encerrar o ano em 4,86%, acima do limite superior da meta. Antes da escalada das tensões externas, as projeções eram mais moderadas.
A redução da Selic tende a estimular a atividade econômica, ao baratear o crédito e incentivar consumo e investimentos. Por outro lado, o movimento exige cautela, já que juros mais baixos podem dificultar o controle dos preços em um ambiente ainda pressionado.
Internamente, o Copom também enfrenta um cenário atípico. O colegiado opera com vagas em aberto, após o fim do mandato de dois diretores, e terá ainda a ausência de um terceiro integrante nesta reunião.
Mesmo com essas variáveis, a decisão reforça a tentativa do Banco Central de equilibrar o estímulo à economia com o compromisso de manter a inflação dentro da meta, em um contexto marcado por incertezas tanto no cenário doméstico quanto no internacional.
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