• PUBLICIDADE

Rio: Defensoria cobra acesso a imagens e laudos de operação


Por Redação

30/04/2026  às  08:34:22 | | views 86


© Tomaz Silva/Agência Brasil

Seis meses após ação com 122 mortos, órgãos de controle apontam falhas em provas e ausência de transparência na apuração


Ouça esta reportagem

Seis meses após a chamada Operação Contenção, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, a Defensoria Pública do Estado (DPRJ) afirma ainda não ter acesso às imagens das câmeras corporais de policiais militares nem aos laudos periciais relacionados à ação. A operação deixou 122 mortos.

 

Desde o início, a Defensoria acompanha o caso e busca obter elementos que permitam reconstituir o que ocorreu, especialmente nas áreas de mata, onde se concentram as mortes. Segundo o coordenador de Defesa Criminal do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da DPRJ, Marcos Paulo Dutra, a principal lacuna está justamente na ausência de informações sobre esses locais.

 

De acordo com o defensor, até o momento não foram apresentados dados que confirmem ou contestem a versão oficial da polícia. Ele também aponta que, apesar de determinações judiciais no âmbito da ADPF 635 — conhecida como ADPF das Favelas —, ainda há obstáculos para o controle e a apuração da atuação policial.

 

Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal informou que o material enviado pelo governo do estado apresenta inconsistências técnicas que impediram a realização de perícia. Entre os problemas apontados estão a impossibilidade de download dos arquivos, falhas na validação do material digital e ausência de imagens das câmeras corporais da Polícia Militar — tendo sido disponibilizados apenas registros da Polícia Civil.

 

Para a Defensoria, essas falhas comprometem a análise técnica e dificultam a eventual responsabilização por excessos. O órgão também avalia que a operação não trouxe mudanças na dinâmica territorial que motivou a ação, nem resultados concretos para a segurança pública, deixando como saldo as mortes e a falta de esclarecimentos.

 

A Defensoria ressalta que a ausência de acesso às imagens e aos laudos representa não apenas um entrave à investigação, mas também um obstáculo ao controle da atividade policial e ao direito da sociedade de conhecer o que ocorreu.

 

Procurada, a Polícia Militar informou que a demanda sobre o envio das imagens deve ser direcionada à Secretaria de Estado de Segurança Pública.



Comentários desta notícia 0



Comentários - ver todos os comentários


Seja o primeiro a comentar!

© Copyright 2002-2019 SEGNEWS - Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Rede SegComunicação. SEGNEWS e SEGWEB são marcas da BBVV Editora Ltda, devidamente registradas pelas normas do INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial.