Liderança feminina avança no combate a afastamentos por saúde mental
Por Redação
24/04/2026 às 09:19:42 | | views 144
Capacitação de gestores e novas exigências regulatórias impulsionam mudanças na cultura corporativa
O avanço dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil tem levado empresas a rever estratégias e colocar a liderança feminina no centro das políticas de prevenção. Dados da Previdência Social apontam mais de 470 mil licenças por questões emocionais em 2024, enquanto a Organização Mundial da Saúde estima perdas globais de cerca de US$ 1 trilhão por ano associadas à depressão e à ansiedade.
O cenário ganha contornos mais complexos no ambiente corporativo. Levantamento da Deloitte indica que mulheres, especialmente em cargos de gestão, registram níveis mais elevados de estresse e esgotamento, reflexo da sobrecarga e da pressão por desempenho. O impacto vai além do indivíduo e atinge diretamente equipes, produtividade e resultados.
Para especialistas, a atuação das lideranças é determinante para evitar o agravamento dos quadros. Segundo Rodrigo Araújo, a falta de preparo dos gestores para identificar sinais de sobrecarga faz com que o problema só seja percebido quando já resulta em afastamento. Atualmente, transtornos mentais respondem por cerca de 30% das licenças no país, pressionando custos operacionais e afetando o desempenho das empresas.
A questão também ganhou peso regulatório. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1, em vigor desde 2025, passou a exigir que organizações identifiquem e gerenciem riscos psicossociais, como assédio, excesso de trabalho e falta de reconhecimento. A mudança tem acelerado a adoção de políticas estruturadas de prevenção.
Na prática, empresas vêm investindo na capacitação de lideranças, com foco em comunicação, identificação de sinais de esgotamento e condução de conversas sensíveis. A criação de ambientes psicologicamente seguros, com canais de escuta e acolhimento, também aparece como fator decisivo para reduzir conflitos, aumentar o engajamento e evitar afastamentos.
Além do impacto na saúde dos trabalhadores, o tema tem reflexos diretos nos resultados financeiros. O aumento de licenças, somado ao presenteísmo e à queda de produtividade, gera perdas significativas e reforça a necessidade de integrar a saúde mental à estratégia do negócio.
Especialistas alertam, no entanto, para o risco de iniciativas pontuais. Programas desconectados da gestão tendem a ter baixo impacto. A tendência, segundo analistas, é que empresas avancem para modelos mais estruturados, integrando saúde mental, segurança do trabalho e gestão de pessoas como pilares da sustentabilidade corporativa.
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