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Trump critica papa Leão XIV e acirra tensão entre política e Vaticano


Por Redação

13/04/2026  às  07:37:29 | | views 778


@Özgür KAYA

Declarações sobre Irã e Venezuela expõem divergências entre Washington e liderança da Igreja Católica


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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente o papa Leão XIV, classificando-o como “terrível em política externa” após manifestações do pontífice sobre ações norte-americanas no Irã e na Venezuela.

 

Em mensagem publicada na rede Truth Social, plataforma de sua propriedade, Trump afirmou que o líder da Igreja Católica deveria se concentrar em questões religiosas e evitar posicionamentos políticos. Segundo o presidente, as declarações do papa estariam “prejudicando a Igreja”.

 

O embate ocorre após Leão XIV adotar, desde o início de seu pontificado, um discurso cauteloso, porém crítico, em relação a conflitos internacionais e ao uso da força. Sem mencionar diretamente países, o pontífice tem defendido a mediação diplomática e alertado para os riscos de escaladas militares.

 

Trump reagiu de forma direta às críticas, rejeitando qualquer oposição às suas decisões de política externa. “Não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos quando estou fazendo exatamente aquilo para que fui eleito”, escreveu. O republicano também contestou posicionamentos atribuídos ao pontífice sobre o programa nuclear iraniano e sobre ações norte-americanas na Venezuela.

 

Além das críticas políticas, Trump sugeriu que a escolha de Leão XIV como papa teria sido influenciada por sua nacionalidade norte-americana, insinuando uma tentativa de aproximação estratégica com seu governo. Ele ainda comparou o pontífice ao próprio irmão, elogiando-o por alinhamento com o movimento conservador associado ao slogan “Make America Great Again”.

 

Diplomacia, fé e disputa narrativa

As declarações evidenciam uma tensão crescente entre a Casa Branca e o Vaticano em torno de temas centrais da agenda internacional, como segurança nuclear, soberania nacional e intervenções externas.

 

No último sábado, em pronunciamento no Vaticano, o papa voltou a defender que líderes globais priorizem o diálogo e evitem “demonstrações de força”, em um momento que coincide com negociações entre Washington e Teerã.

 

Embora historicamente o Vaticano busque atuar como mediador em conflitos internacionais, o episódio revela os limites dessa atuação diante de governos que rejeitam críticas externas, sobretudo quando associadas a agendas geopolíticas sensíveis.

 

Polarização transborda para o campo religioso

O confronto também reflete a crescente politização de figuras religiosas no debate público global. Ao acusar o papa de ceder à “esquerda radical”, Trump insere a liderança católica em uma narrativa ideológica mais ampla, comum no cenário político norte-americano contemporâneo.

 

Por outro lado, a postura de Leão XIV indica a tentativa de manter a tradição diplomática da Igreja, baseada na defesa da paz e da mediação — ainda que isso implique tensionar relações com potências globais.

 

O episódio reforça como, em um ambiente internacional marcado por conflitos e disputas de influência, até mesmo instituições religiosas se tornam atores relevantes — e, por vezes, alvos — no jogo político global.



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