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Reconhecimento facial amplia acesso e reforça segurança em arenas esportivas


Por Redação

03/04/2026  às  19:48:57 | | views 60


© Divulgação/Bepass/Direitos Reservados

Tecnologia de biometria facial se consolida como padrão em arenas esportivas, ampliando o controle de acesso, reduzindo fraudes e integrando sistemas de segurança pública, mas ainda enfrenta desafios ligados à privacidade e à precisão dos dados


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A implementação do reconhecimento facial em estádios brasileiros inaugura uma nova etapa na segurança eletrônica aplicada a grandes eventos. Tornada obrigatória em arenas com capacidade superior a 20 mil pessoas pela Lei Geral do Esporte, de 2023, a tecnologia substitui o ingresso tradicional por um sistema de identificação biométrica, baseado no cadastramento prévio do torcedor.

 

Na prática, o acesso passa a ser liberado por meio da leitura facial, dispensando a apresentação de bilhetes físicos ou digitais. A proposta, segundo empresas responsáveis pela solução, é reforçar o controle e reduzir fraudes. “O objetivo principal da biometria é fazer com que o ingresso seja personalizado. Com isso, você elimina a possibilidade de esse ingresso ficar circulando entre várias pessoas”, afirma Fernando Melchert, diretor de Tecnologia da Bepass.

 

A personalização do ingresso também dificulta práticas como o cambismo e a falsificação. “Elimina a fraude também, porque você não tem como copiar a face”, acrescenta o executivo.

 

Além do controle de acesso, a tecnologia vem sendo integrada a sistemas de segurança pública. Por meio do cruzamento de dados com o Banco Nacional de Mandados de Prisão, é possível identificar torcedores com pendências judiciais no momento da entrada. “Como o ingresso é personalizado, a gente sabe quem é o comprador. Isso é enviado para a Secretaria de Segurança, que faz uma varredura e retorna a informação para o controle de acesso”, explica Melchert.

 

A integração faz parte de iniciativas mais amplas, como o projeto Estádio Seguro, desenvolvido em parceria entre entidades esportivas e o poder público, e programas estaduais de monitoramento por câmeras. Em São Paulo, sistemas conectados têm permitido a identificação de foragidos que tentam acessar as arenas.

 

Do ponto de vista operacional, os ganhos também são destacados. A leitura biométrica acelera o fluxo nas catracas e reduz filas, além de eliminar custos com emissão de carteirinhas. Clubes relatam ainda aumento na adesão de sócios e crescimento de público após a adoção da tecnologia.

 

Mesmo fora da exigência legal, arenas de menor porte também passaram a implementar o sistema. A tendência, segundo empresas do setor, é de expansão para outros tipos de eventos. “Shows e eventos, então, praticamente todos [terão acessos com biometria facial]. A gente vê uma grande movimentação de produtoras”, afirma Melchert.

 

Debate sobre privacidade e precisão

Apesar dos avanços, a adoção do reconhecimento facial levanta questionamentos sobre o uso e a proteção de dados pessoais. Organizações da sociedade civil apontam riscos relacionados à privacidade, especialmente diante da obrigatoriedade do cadastramento biométrico para acesso aos eventos.

 

Relatórios recentes também chamam atenção para a chamada “datificação” — a transformação de comportamentos em dados monitoráveis — e para a coleta de informações de crianças e adolescentes, o que pode gerar conflitos com a legislação vigente.

 

Outro ponto sensível envolve a precisão dos sistemas. Estudos indicam que algoritmos de reconhecimento facial podem apresentar variações de desempenho conforme raça e gênero, aumentando o risco de identificações equivocadas. Casos de falsos positivos já foram registrados, com abordagens indevidas a torcedores.

 

Empresas do setor reconhecem limitações, mas afirmam que os sistemas operam com altos níveis de precisão. “Você tem um ajuste de acurácia, que é o grau de precisão entre a biometria de referência e a da entrada. É muito difícil dar um falso positivo. Isso é um em um milhão”, diz o diretor da Bepass.

 

Ele ressalta ainda que os dados não são armazenados como imagens, mas convertidos em padrões matemáticos. “Não é a foto do usuário que transita no sistema”, afirma.

 

Expansão no setor de eventos

Mesmo diante das críticas, o reconhecimento facial se consolida como tendência na segurança eletrônica. A combinação entre controle de acesso, integração com bases públicas e ganhos operacionais impulsiona a adoção da tecnologia em larga escala.

 

Para o setor, a expectativa é de que a biometria facial ultrapasse o ambiente esportivo e se torne padrão em shows, festivais e outros eventos de grande porte, ampliando o uso de soluções inteligentes de monitoramento e controle de público. (Com Agência Brasil)



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