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FUNCOC parado expõe fragilidade no combate ao crime


Por Redação

27/03/2026  às  07:30:46 | | views 34


@Divulgação/PRF

Paralisação de projeto que cria o FUNCOC revela fragilidade no financiamento da segurança pública e levanta alertas sobre eficiência no enfrentamento às organizações criminosas


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A mobilização nacional deflagrada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta sexta-feira (27) escancara um problema estrutural que há anos compromete a eficiência do combate ao crime organizado no Brasil: a falta de financiamento estável, estratégico e compatível com a dimensão das atividades ilícitas no país.

 

Organizada pela Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), a mobilização cobra a criação do Fundo de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), projeto que permanece paralisado no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. A proposta prevê a destinação de recursos específicos para o fortalecimento institucional das forças de segurança da União — um ponto considerado crucial por especialistas para enfrentar estruturas criminosas cada vez mais sofisticadas e financeiramente robustas.

 

A pressão da categoria não se limita a atos simbólicos. Há previsão de suspensão de atividades extraordinárias, como forças-tarefa no setor de combustíveis, o que pode impactar diretamente ações estratégicas em áreas sensíveis. O movimento ocorre em um contexto delicado, marcado pelo risco de novas paralisações no setor de transporte rodoviário, ampliando o potencial de efeitos colaterais na economia e na segurança.

 

Os números apresentados pela PRF reforçam o paradoxo: entre 2023 e 2025, foram apreendidas mais de 2 mil toneladas de maconha, além de centenas de toneladas de cocaína, milhares de armas e mais de um milhão de unidades de anfetaminas. Ainda assim, o volume de recursos investidos em segurança pública segue distante da capacidade financeira das organizações criminosas, que movimentam cifras estimadas em centenas de bilhões de reais por ano.

 

Nesse cenário, a ausência de um mecanismo como o FUNCOC evidencia uma falha estratégica do Estado. Sem financiamento contínuo e direcionado, o enfrentamento ao crime organizado tende a permanecer reativo, fragmentado e dependente de iniciativas pontuais — o oposto do que exige uma política pública eficaz.

 

Além da questão orçamentária, a mobilização também traz à tona um problema recorrente: a falta de isonomia entre as forças de segurança federais. A reivindicação por tratamento equitativo não é apenas corporativa, mas estrutural. A fragmentação e a desigualdade entre carreiras podem comprometer a integração operacional, considerada essencial no combate a organizações que atuam de forma articulada e transnacional.

 

O impasse em torno do FUNCOC, portanto, vai além de uma disputa administrativa. Ele revela a dificuldade do Estado brasileiro em alinhar discurso e prática no enfrentamento ao crime organizado. Sem prioridade política e sem mecanismos modernos de financiamento, o país corre o risco de continuar combatendo estruturas bilionárias com recursos e estratégias incompatíveis com o desafio.



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