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Ataque aéreo mata Ali Larijani e aprofunda crise no núcleo do poder iraniano


Por Richard Wolf

18/03/2026  às  08:40:46 | | views 66


© Reuters/Thaier Al-Sudani/Proibida reprodução

Veterano do regime e aliado próximo de Ali Khamenei era peça-chave na segurança e na estratégia nuclear de Teerã


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O governo do Irã confirmou nesta terça-feira (17) a morte de Ali Larijani, uma das figuras mais influentes da República Islâmica, em um ataque aéreo atribuído a forças de Israel com apoio dos Estados Unidos. Segundo a agência semioficial Fars, Larijani foi atingido enquanto visitava a filha na periferia leste de Teerã.

 

Mais cedo, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, já havia afirmado que o bombardeio tinha como alvo o alto dirigente iraniano. A operação marca uma escalada significativa no conflito regional e atinge diretamente o núcleo estratégico do poder em Teerã.

 

Larijani ocupava o posto de chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional e era considerado um dos principais arquitetos da política de defesa e segurança do país. Próximo do líder supremo Ali Khamenei — morto no mês passado em outro ataque aéreo —, ele acumulava influência sobre temas centrais como o programa nuclear, relações regionais e a resposta a protestos internos.

 

A morte de Larijani representa mais do que a eliminação de um dirigente: simboliza o enfraquecimento de uma geração de líderes que moldaram o sistema político iraniano nas últimas décadas. Com formação na Guarda Revolucionária durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980, ele transitou por posições estratégicas, incluindo a chefia da radiodifusão estatal e a presidência do Parlamento por 12 anos.

 

Nos bastidores, era visto como um conservador pragmático, capaz de dialogar com o Ocidente em momentos de tensão. Como negociador nuclear, chegou a defender soluções diplomáticas para conter o avanço do programa atômico iraniano, embora mantivesse discurso firme contra pressões externas.

 

Sua trajetória também é marcada por controvérsias. Autoridades norte-americanas o incluíram em listas de sanções por seu papel na repressão a protestos, enquanto organizações de direitos humanos o apontam como um dos responsáveis por operações que resultaram em milhares de mortes durante períodos de instabilidade interna.

 

Nos últimos meses, Larijani havia sido reconduzido ao comando do Conselho de Segurança após um breve, porém intenso, conflito aéreo com Israel. Apesar de defender publicamente a possibilidade de negociação com os Estados Unidos, não conseguiu evitar a deterioração das relações nem a escalada militar que culminou em sua morte.

 

O ataque ocorre em meio a um cenário de crescente volatilidade no Oriente Médio, com sucessivas ações militares e retaliações cruzadas. Analistas avaliam que a eliminação de figuras centrais do regime iraniano pode provocar uma reorganização interna de poder — ou intensificar ainda mais o confronto com adversários externos.

 

A morte de Larijani, portanto, não apenas encerra a trajetória de um dos políticos mais influentes do Irã contemporâneo, mas também inaugura um novo capítulo de incerteza sobre os rumos da segurança e da política externa do país.



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