• PUBLICIDADE

CNI: juros elevados restringem crédito para 80% das indústrias


Por Redação

19/01/2026  às  07:40:34 | | views 192


@Tima Miroshnichenko

Pesquisa mostra retração na demanda por financiamentos e maior dificuldade em operações de longo prazo


Ouça esta reportagem

Os juros elevados continuam sendo o principal entrave ao acesso ao crédito para a indústria brasileira. De acordo com pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), oito em cada dez empresas do setor enfrentaram dificuldades para obter financiamento, tanto de curto quanto de longo prazo.

 

Segundo a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, 80% dos industriais que relataram obstáculos para contratar crédito com prazo de até cinco anos apontaram as taxas de juros como o principal fator limitante. A exigência de garantias reais, como imóveis e máquinas, apareceu em segundo lugar (32%), seguida pela falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).

 

No crédito de longo prazo, acima de cinco anos, o cenário se mantém restritivo. Para 71% dos empresários, os juros elevados foram o maior impedimento ao financiamento de investimentos. A exigência de garantias foi citada por 31%, enquanto 17% mencionaram a ausência de produtos financeiros compatíveis com seus projetos.

 

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, afirma Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.

 

Selic alta desestimula a busca por crédito

O levantamento indica que o custo elevado do dinheiro não apenas dificulta a contratação, mas também reduz a demanda por crédito. Nos seis meses anteriores à pesquisa, 54% das empresas não buscaram financiamento de longo prazo, enquanto 49% deixaram de procurar crédito de curto ou médio prazo.

 

Apenas 26% das indústrias conseguiram contratar ou renovar operações de curto prazo no período. No crédito de longo prazo, o percentual foi ainda menor, de 17%.

 

Crédito de longo prazo é o mais restrito

Entre as empresas que tentaram obter financiamento, quase um terço não conseguiu acesso ao crédito de longo prazo. No caso do crédito de curto ou médio prazo, cerca de 20% das tentativas foram frustradas.

 

As médias empresas foram as mais afetadas: 43% não obtiveram crédito de longo prazo. Entre as pequenas, o índice foi de 37%, enquanto nas grandes empresas chegou a 27%. No curto e médio prazo, a dificuldade também foi maior entre as médias (26%), seguidas pelas pequenas (21%) e grandes (16%).

 

Percepção de piora nas condições de financiamento

Para 35% das empresas, as condições de acesso ao crédito de curto ou médio prazo pioraram em relação ao período anterior. No crédito de longo prazo, essa percepção foi compartilhada por 33% dos entrevistados. A maioria (47%) avaliou que as condições permaneceram estáveis, enquanto apenas 14% relataram melhora no curto prazo e 12% no longo prazo.

 

Baixa adesão ao risco sacado

A pesquisa também aponta baixa utilização do risco sacado, modalidade de antecipação de recebíveis em que uma instituição financeira antecipa o pagamento ao fornecedor, enquanto o comprador quita o valor na data acordada. Apenas 13% das indústrias utilizaram esse tipo de operação nos últimos 12 meses, e outros 5% demonstraram intenção de contratar. Mais da metade (54%) não utilizou nem pretendia utilizar o instrumento, enquanto 29% não souberam ou preferiram não responder.

 

A Sondagem Especial ouviu 1.789 empresas industriais entre 1º e 12 de agosto do ano passado, sendo 713 de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte.



Comentários desta notícia 0



Comentários - ver todos os comentários


Seja o primeiro a comentar!

© Copyright 2002-2019 SEGNEWS - Todos os direitos reservados - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Rede SegComunicação. SEGNEWS e SEGWEB são marcas da BBVV Editora Ltda, devidamente registradas pelas normas do INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial.