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Portugal caminha para segundo turno marcado pela polarização


Por Redação

19/01/2026  às  07:16:07 | | views 133


© Reuters/Pedro e Rodrigo Antunes/Direitos rese

António José Seguro(dir) lidera primeira volta; André Ventura avança como principal força da direita fragmentada


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Portugal terá um segundo turno nas eleições presidenciais após um primeiro escrutínio que expôs a fragmentação do campo político tradicional e consolidou o avanço da extrema direita no país. Com quase a totalidade dos votos apurados neste domingo (18), o socialista António José Seguro obteve pouco mais de 31% dos votos, garantindo o primeiro lugar e a vaga na etapa decisiva. Em segundo, André Ventura, líder do partido Chega, alcançou 23,5% e confirmou sua presença no confronto final, marcado para 8 de fevereiro.

 

A eleição definirá o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que deixa o cargo após dois mandatos consecutivos de cinco anos. O resultado da primeira volta revela não apenas a disputa entre dois projetos antagônicos de país, mas também o enfraquecimento do centro-direita tradicional, incapaz de se apresentar como alternativa viável diante da ascensão populista.

 

Ao discursar após a divulgação dos resultados, António José Seguro procurou distanciar-se formalmente do Partido Socialista, apesar do apoio recebido, e enfatizou o caráter “independente” de sua candidatura. Apresentando-se como um nome de conciliação, convocou “democratas, progressistas e humanistas” a se unirem contra o que classificou como “extremismo” e “política do ódio”. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como presidente da República”, afirmou, numa tentativa de responder às críticas sobre eventual submissão partidária.

 

O candidato socialista apostou num discurso de unidade nacional, rejeitando divisões entre “portugueses bons e maus” e prometendo ser “o presidente de todos”. Também delineou uma agenda genérica de modernização do Estado, competitividade econômica e fortalecimento de áreas sensíveis como saúde e habitação, sem detalhar propostas concretas. “A política só faz sentido se melhorar a vida das pessoas”, resumiu.

 

Já André Ventura celebrou o resultado como um marco histórico para o Chega e para a direita portuguesa. Autoproclamou-se “líder do espaço não socialista” e interpretou o desempenho como um sinal de rejeição ao sistema político tradicional. “O país despertou”, disse, afirmando que os eleitores ignoraram os apelos de partidos como o PSD e a Iniciativa Liberal. Para Ventura, a fragmentação da direita acabou por favorecer o Chega, que se apresenta como o principal polo de oposição ao socialismo.

 

Em tom combativo, o líder da extrema direita acusou o Partido Socialista de ser “o maior responsável moral” pela corrupção e pela degradação das instituições, narrativa central de sua campanha. Ventura afirmou ter conduzido uma “campanha sem ofensas”, apesar do histórico de declarações controversas e do discurso polarizador que caracteriza sua atuação política.

 

O segundo turno promete aprofundar o clima de tensão política em Portugal, colocando frente a frente um candidato que se apresenta como símbolo de estabilidade democrática e outro que capitaliza o descontentamento social e a desconfiança em relação às elites políticas. Mais do que a escolha de um presidente, a disputa será interpretada, dentro e fora do país, como um teste à resiliência das instituições democráticas portuguesas diante do avanço da extrema direita na Europa.



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