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Dados e IA devem redefinir a gestão de frotas em 2026


Por Redação

16/01/2026  às  08:10:04 | | views 271


@Jonathan Cooper

Análises preditivas, manutenção antecipada e transição energética ganham peso no transporte de cargas


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A gestão orientada por dados tende a se consolidar como um dos principais vetores de competitividade no transporte de cargas em 2026. Em um cenário marcado por custos operacionais elevados, maior pressão por eficiência e avanço da transição energética, empresas do setor devem ampliar o uso de análises preditivas, inteligência artificial e informações em tempo real para sustentar decisões estratégicas e operacionais.

 

A avaliação é da Geotab, empresa global especializada em dados de mobilidade, que aponta a previsibilidade operacional como elemento central para lidar com a crescente complexidade das frotas. A leitura indica que a capacidade de transformar grandes volumes de dados em informações acionáveis passa a ser tão relevante quanto a ampliação da frota ou a adoção isolada de novas tecnologias.

 

Para Neil Cawse, fundador e CEO da Geotab, a diferenciação competitiva no setor está cada vez mais associada à forma como dados e inteligência artificial são incorporados à rotina das operações. “Tratar a IA como um parceiro operacional, apoiado por dados confiáveis, é o que vai diferenciar as organizações que lideram o mercado das demais, em um ambiente cada vez mais complexo”, afirma. Segundo o executivo, o avanço tecnológico tende a ocorrer mesmo em contextos de resistência ou adaptação gradual das empresas.

 

Estudos recentes reforçam essa tendência. Um relatório internacional da Deloitte sobre mobilidade e infraestrutura de transportes aponta que iniciativas de manutenção preditiva baseadas em modelos analíticos já conseguem antecipar cerca de 92% das falhas que afetam a disponibilidade dos veículos. O dado indica um amadurecimento no uso de análises avançadas, com impacto direto na redução de paradas não programadas e na previsibilidade das operações.

 

Outro eixo relevante para o setor em 2026 é a transição energética, que avança de forma gradual no transporte de cargas. A substituição de frotas ocorre de maneira heterogênea, exigindo avaliações mais detalhadas sobre custo total de propriedade, perfil de uso e viabilidade operacional. Dados compilados pela Deloitte mostram que as baterias ainda representam cerca de 33% do valor total de um veículo elétrico, percentual que deve cair para aproximadamente 19% até o fim da década, o que tende a influenciar decisões de investimento no médio prazo.

 

No Brasil, essas transformações encontram desafios adicionais, como infraestrutura desigual, variação nas condições de operação e pressão constante sobre custos logísticos. Para Eduardo Canicoba, vice-presidente da Geotab no país, a questão central está na capacidade de extrair valor consistente das tecnologias disponíveis. “A combinação entre telemetria, videotelemetria e inteligência artificial permite ampliar a previsibilidade das operações, reduzir riscos e sustentar ganhos de eficiência em um ambiente operacional complexo”, afirma.

 

Três tendências para a gestão de frotas em 2026

A Geotab elenca três movimentos que devem moldar a gestão de frotas no próximo ano. O primeiro é a integração mais profunda da inteligência artificial às rotinas de planejamento, operação e análise. Segundo a Deloitte, 43% das organizações públicas analisadas globalmente já utilizam IA em atividades relacionadas ao planejamento e à análise de sistemas de transporte, indicando a transição da tecnologia de projetos pontuais para aplicações estruturais.

 

O segundo movimento está relacionado à transição energética, que tende a resultar em frotas cada vez mais diversas do ponto de vista tecnológico. Dados do setor automotivo global indicam que, em 2024, as vendas de veículos elétricos cresceram 25%, enquanto os veículos híbridos mantiveram trajetória de expansão acelerada. O cenário aponta para a convivência prolongada entre diferentes matrizes energéticas, exigindo maior sofisticação na gestão de ativos e na definição de estratégias de manutenção.

 

Por fim, o uso de dados em tempo real deve ganhar centralidade nas decisões operacionais. À medida que a inteligência artificial se torna mais presente nas grandes frotas, cresce a demanda por dados contínuos e confiáveis sobre veículos, condutores e rotas. Estudos da Deloitte indicam que o uso de dados no transporte deixa de se concentrar em iniciativas experimentais e passa a sustentar decisões recorrentes em ambientes operacionais cada vez mais complexos.

 

Na avaliação da Geotab, o diferencial competitivo no transporte de cargas em 2026 estará menos associado à adoção isolada de tecnologias e mais à capacidade de integrar dados, visibilidade operacional e análise contínua. Empresas que conseguirem transformar informação em decisões consistentes tendem a estar mais preparadas para lidar com riscos, custos e a crescente complexidade do setor.



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