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Comércio do Brasil com o Irã chega a US$ 3 bi em 2025


Por Redação

13/01/2026  às  07:12:32 | | views 215


© Reuters/Leonhard Foeger/Proibida reprodução

Comércio é concentrado no agronegócio e pode ser afetado por taxa de 25% anunciada pelos EUA a parceiros de Teerã


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O Brasil manteve um fluxo comercial de quase US$ 3 bilhões com o Irã em 2025, mesmo com o país persa respondendo por apenas 0,84% das exportações brasileiras. A relação ganha relevância diante do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende impor tarifas de 25% a países que mantêm comércio com Teerã, medida que pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro.

 

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações brasileiras ao Irã somaram US$ 2,9 bilhões no ano passado. O país ocupou a 31ª posição entre os destinos das vendas externas do Brasil, mas figurou como o quinto principal mercado no Oriente Médio, atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita.

 

Na comparação com outros parceiros comerciais, o Irã superou mercados como Suíça, África do Sul e Rússia em valor importado do Brasil ao longo de 2025.

 

O comércio bilateral é fortemente concentrado no agronegócio. Milho e soja responderam por 87,2% das exportações brasileiras ao mercado iraniano no ano. O milho liderou com 67,9% do total, equivalente a mais de US$ 1,9 bilhão, enquanto a soja representou 19,3%, com cerca de US$ 563 milhões. Também aparecem entre os principais produtos exportados açúcares e itens de confeitaria, farelos de soja para ração animal e petróleo.

 

As importações brasileiras provenientes do Irã foram bem mais reduzidas. Em 2025, o Brasil comprou aproximadamente US$ 84 milhões do país, com destaque para adubos e fertilizantes, que responderam por cerca de 79% do total importado. Frutas, nozes, pistaches e uvas secas completam a pauta.

 

O intercâmbio comercial entre os dois países tem apresentado volatilidade nos últimos anos. Em 2022, as exportações brasileiras ao Irã atingiram o pico recente de US$ 4,2 bilhões. Em 2023, houve retração, seguida de retomada em 2024 e 2025. As importações oscilaram ainda mais, com forte queda em 2023 e recuperação parcial no ano passado.

 

A dinâmica do comércio ganhou novo grau de incerteza após o anúncio de Trump, feito nesta segunda-feira (12). Segundo o presidente americano, os países que mantiverem relações comerciais com o Irã estarão sujeitos a uma tarifa de 25% “sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos”. A medida, de acordo com o republicano, teria efeito imediato, embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado detalhes formais da iniciativa.

 

O anúncio acendeu um sinal de alerta no Brasil, sobretudo entre exportadores do agronegócio, que concentram a maior parte das vendas ao Irã. O governo federal informou que aguarda a publicação da ordem executiva americana para se posicionar oficialmente sobre o tema.

 

Paralelamente ao avanço do comércio, Brasil e Irã vêm reforçando a agenda diplomática. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Os dois países acordaram a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com foco na ampliação do intercâmbio técnico, na agilização de pautas regulatórias e na facilitação do comércio.

 

Durante a visita, o governo iraniano também manifestou interesse em instalar uma empresa de navegação no Brasil, iniciativa que poderia reduzir custos logísticos e estimular o fluxo comercial. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, bloco do qual o Brasil é membro fundador.

 

A possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos ocorre em um contexto de aumento das tensões entre Washington e Teerã, marcado por ameaças mútuas, repressão a protestos internos no Irã e declarações recentes de autoridades de ambos os países sobre negociações, sem descartar um agravamento do conflito. (Com Agência Brasil)



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