E-commerce enfrenta 80% de abandono de carrinhos de compras
Por Redação
05/12/2025 às 08:35:10 | | views 3928
Frete alto, checkouts lentos e falhas de pagamento tiram bilhões do e-commerce em plena temporada de maior demanda
O e-commerce brasileiro entra na temporada de maior demanda do ano enfrentando um problema que se agrava justamente no auge das vendas: o abandono de carrinhos. Segundo o relatório E-commerce Radar, a taxa chega a 80% em categorias como moda, beleza e eletrônicos — um dos índices mais altos dos últimos anos. Dados da Hi Platform confirmam a tendência: durante a Black Friday e o Natal, oito em cada dez carrinhos iniciados não chegam ao pagamento, mesmo diante de descontos agressivos.
Pesquisas do Baymard Institute ajudam a explicar por que o consumidor desiste tão perto da conversão. Entre os principais motivos estão frete elevado (48%), processos longos ou com atrito (27%) e ausência de meios de pagamento adequados (19%). A tolerância também está mais curta: 69% interrompem a compra se o checkout passa de 30 segundos, marca que cai ainda mais em ofertas relâmpago, quando a competição entre lojistas aumenta.
Para Andrews Vourodimos, fundador e CEO da Yever, o setor trata o problema de forma genérica há anos. “O mercado sempre reconheceu o abandono de carrinho como um desafio, mas deixou de investigar a fundo os fatores reais que levam o cliente a desistir. Quando o processo não é personalizado, a recuperação fica limitada e a perda de receita vira rotina”, afirma.
Essas perdas já aparecem no caixa. Um estudo da Unico com a Opinion Box estima que atritos no checkout — como falsos positivos de fraude e falhas de pagamento — custam R$ 150 bilhões por ano ao e-commerce brasileiro, impacto concentrado especialmente no último trimestre. Na reta final do ano, consumidores comparam simultaneamente preços, fretes e prazos em diferentes lojas, fenômeno que especialistas chamam de “abandono comparativo”. Em um ambiente de competição intensa, até pequenas diferenças logísticas podem definir para onde o cliente leva sua compra.
Para Vourodimos, a pressão da alta sazonal torna indispensável atacar o problema com precisão cirúrgica. “Atrair visitantes não basta. O desafio está em identificar o que impede a conversão e eliminar esses obstáculos. Quanto mais fluido e simples o checkout, menores as chances de abandono — e maior o aproveitamento do tráfego, especialmente nesta época do ano”, diz.
O varejo digital entra, assim, na fase decisiva do calendário comercial com um alerta claro: eficiência, velocidade e conveniência não são mais diferenciais — são condições básicas para transformar intenção de compra em faturamento real.
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