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Plano bilionário da Petrobras reacende críticas a prioridades


Por Redação

28/11/2025  às  07:49:07 | | views 4052


@arquivo/Tânia Rêgo/ABr

Plano 2026–2030 prevê US$ 109 bilhões em aportes, mas falta de clareza sobre retorno, transição energética e viabilidade dos projetos levanta questionamentos


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A Petrobras aprovou, por unanimidade, seu Plano de Negócios 2026–2030, prevendo investimentos de US$ 109 bilhões — um montante que a própria estatal faz questão de destacar como equivalente a 5% de todos os investimentos no país. O número impressiona, mas reacende questionamentos sobre o real impacto econômico, a eficiência do gasto e a estratégia de longo prazo da companhia.

 

Do total projetado, US$ 91 bilhões estão em projetos já em implantação e outros US$ 18 bilhões em iniciativas ainda em avaliação, com menor maturidade e maior incerteza quanto à financiabilidade. A cifra, embora robusta, representa uma redução de 1,8% em relação ao plano anterior (2025–2029). Apesar disso, a empresa sustenta um discurso otimista.

 

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirma que esses investimentos terão potencial para “gerar e sustentar 311 mil empregos diretos e indiretos” e que a companhia deverá contribuir com R$ 1,4 trilhão em tributos aos entes federativos nos próximos cinco anos. O anúncio, porém, ocorre sem detalhamento claro de como esses empregos serão distribuídos, se são novos postos ou apenas manutenção de vagas já existentes, nem de que forma o aporte tributário se relaciona diretamente aos novos investimentos.

 

O discurso de liderança na “transição energética justa” também contrasta com a ausência de clareza sobre quanto do orçamento será efetivamente destinado a fontes renováveis ou tecnologias de baixo carbono — tema recorrente nas promessas da companhia, mas frequentemente tímido na execução. A maior parte dos recursos continua concentrada em exploração e produção de petróleo, o que levanta questionamentos sobre a coerência entre o plano e os objetivos climáticos assumidos pelo país.

 

O novo mecanismo de classificação da carteira de investimentos também acende sinal amarelo. A estatal criou duas categorias:

• Carteira em Implantação Base — US$ 81 bilhões garantidos no orçamento, mas ainda sujeitos à avaliação econômica;

• Carteira de Implantação Alvo — US$ 10 bilhões adicionais, dependentes de confirmação orçamentária e análise de financiabilidade.

 

A segmentação, embora apresentada como instrumento de “flexibilidade”, pode indicar incerteza interna sobre a viabilidade real de parte dos projetos — um alerta relevante diante do histórico de obras atrasadas, custos superiores ao previsto e decisões estratégicas questionadas por órgãos de controle.

 

Com volumes tão altos de recursos e forte impacto para a economia brasileira, o Plano de Negócios 2026–2030 recoloca a Petrobras no centro do debate: quais investimentos são, de fato, estratégicos para o país? Quanto desse dinheiro impulsiona inovação e transição energética, e quanto apenas prolonga a dependência do petróleo? Mais que números grandiosos, cresce a pressão por maior transparência, metas mensuráveis e mecanismos de fiscalização que garantam retorno econômico, social e ambiental compatíveis com o tamanho da estatal.



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