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Julgamento sobre queda do voo Rio-Paris chega à fase final em Paris


Por Richard Wolf

27/11/2025  às  11:15:16 | | views 4605


© Aeronáutica/Divulgação

Air France e Airbus respondem por homicídio culposo no acidente que matou 228 pessoas em 2009


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O julgamento do acidente com o voo AF447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009 matando 228 passageiros e tripulantes, entrou em sua fase final nesta quinta-feira (27) na Corte de Apelações de Paris. A companhia aérea francesa e a fabricante Airbus enfrentam acusações de homicídio culposo corporativo.

 

Ontem (26), os promotores pediram à Corte que reverta a decisão de um tribunal inferior que havia inocentado as duas empresas. O acidente ocorreu durante uma tempestade tropical na rota Rio de Janeiro-Paris, quando o Airbus A330 entrou em estol após falha de um sensor que temporariamente impediu o cálculo correto da velocidade da aeronave.

 

Investigações francesas, baseadas nas caixas-pretas recuperadas dois anos após a tragédia, apontaram que a reação inadequada dos pilotos contribuiu para a queda. No entanto, o julgamento concentrou-se também em problemas anteriores do mesmo tipo de sensor, supostas falhas no compartilhamento de dados e deficiências no treinamento da tripulação, que, segundo a promotoria, teriam causado indiretamente o acidente.

 

Durante suas alegações finais, a Air France prestou homenagem às famílias das vítimas e negou que a tripulação estivesse mal treinada para lidar com estol ou emergências em grandes altitudes. A Airbus concluirá sua defesa ainda nesta quinta-feira.

 

Os juízes de apelação podem levar meses para emitir um veredito, e especialistas projetam que o caso ainda deve passar por recursos que podem prolongar o processo por anos.

 

Multa máxima e repercussão

O promotor Rodolphe Juy-Birmann pediu a multa máxima por homicídio culposo corporativo para cada empresa — 225 mil euros (aproximadamente US$ 261 mil) — criticando especialmente a Airbus por fornecer informações de forma limitada ao tribunal. As empresas negam repetidamente as acusações.

 

As audiências ocorreram em um tribunal histórico, palco de julgamentos dramáticos na história da França, incluindo casos do período da Segunda Guerra Mundial e do Putsch de Argel em 1961. Familiares das vítimas descreveram a última sessão de alegações como “catártica”, em contraste com episódios de raiva e tensão registrados em julgamentos anteriores.

 

“Em 16 anos, esta é a primeira vez que somos tratados com respeito e humanidade”, disse Daniele Lamy, presidente da Associação de Vítimas, que perdeu o filho no AF447.

 

A promotoria rejeitou conclusões de investigadores civis que atribuíam o acidente apenas a erro da tripulação, ressaltando que, para condenar por homicídio culposo, é necessário comprovar a negligência e o nexo causal entre ela e a tragédia. Um tribunal de instância inferior havia decidido em 2023 que houve negligência, mas sem estabelecer esse nexo.



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