Brasil precisou de R$ 741 bi para fechar contas em 2024
Por Redação
26/11/2025 às 14:05:02 | | views 4042
Dependência de endividamento ainda é alta, mesmo com queda da necessidade de financiamento, e pagamentos de juros superam R$ 970 bilhões
O chamado Governo Geral — que inclui União, estados e municípios — precisou de R$ 741,3 bilhões para fechar as contas em 2024, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo IBGE, em parceria com o Tesouro Nacional e o Banco Central. O valor, conhecido como necessidade líquida de financiamento, indica quanto o setor público precisou se endividar para equilibrar receitas e despesas, já incluindo os gastos com juros da dívida pública.
Apesar de representar uma queda de 12,2% em relação a 2023, a cifra revela a dependência contínua do crédito público para manter o equilíbrio fiscal. O pagamento de juros, sozinho, consumiu R$ 971 bilhões, o equivalente a 52% do gasto total com benefícios previdenciários e assistenciais, que somaram R$ 1,9 trilhão.
A necessidade de financiamento se concentrou principalmente no Governo Central, que registrou R$ 670,3 bilhões, seguida por estados (R$ 55,5 bilhões) e municípios (R$ 15,5 bilhões). O Governo Central inclui não apenas a União, mas também Legislativo, Judiciário, empresas estatais dependentes, Previdência Social e órgãos da administração direta e indireta.
O relatório do IBGE destaca que a redução da necessidade de financiamento se deve a um crescimento nominal da arrecadação de 12,7%, acima do aumento das despesas, de 8,5%. Em detalhes, a arrecadação de impostos cresceu 16,3%, enquanto contribuições sociais subiram 8,2%.
No lado das despesas, os benefícios previdenciários e assistenciais, que representam o maior peso do orçamento, aumentaram 6%, com destaque para benefícios assistenciais de idade e invalidez, que cresceram 18,2%.
Especialistas alertam que, apesar da queda na necessidade de financiamento, a pressão dos juros sobre o orçamento continua a limitar investimentos e políticas sociais. Cada vez mais, o país enfrenta um dilema: manter o pagamento da dívida ou ampliar gastos essenciais sem comprometer o equilíbrio fiscal.
A análise crítica indica que, sem uma revisão estrutural dos gastos e da dívida pública, o Brasil permanece altamente dependente do crédito público, o que compromete a capacidade de investimento em infraestrutura, saúde e educação — setores fundamentais para o crescimento sustentável.
Comentários desta notícia 0
Comentários - ver todos os comentários
Seja o primeiro a comentar!


