Arrecadação bate recorde, mas crescimento desacelera
Por Redação
24/11/2025 às 14:33:48 | | views 3927
Receita Federal registra R$ 261,9 bilhões em outubro, maior valor já apurado, mas ritmo de expansão mostra sinais de fraqueza; alta recorde em tributos de jogos de azar chama atenção
Apesar do anúncio da Receita Federal sobre a arrecadação recorde de tributos federais em outubro de 2025, com R$ 261,9 bilhões, especialistas alertam para sinais de desaceleração econômica e riscos estruturais. O valor representa crescimento real de 0,92% frente ao mesmo mês do ano passado e eleva a arrecadação acumulada em dez meses a R$ 2,4 trilhões, um avanço real de 3,2%.
Embora os números sejam comemorados pelo governo como o “melhor desempenho arrecadatório já registrado”, a evolução mostra perda de fôlego mês a mês. Em julho, o crescimento real chegou a 4,41%, caindo gradualmente até outubro. Para Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, esse comportamento acompanha a desaceleração econômica e é reflexo direto da política de juros elevados do Banco Central, que mantém a Selic em 15% ao ano para conter a inflação.
Outro ponto que desperta atenção é a crescente dependência do fisco sobre setores específicos, em especial as atividades de exploração de jogos de azar e apostas, cuja arrecadação disparou quase 10.000% em outubro, saltando de R$ 11 milhões em 2024 para R$ 1 bilhão neste ano. No acumulado de janeiro a outubro, o aumento chega a 16.000%, impulsionado pela regulamentação das plataformas de apostas virtuais.
O crescimento robusto em setores específicos contrasta com a desaceleração em áreas tradicionais, como impostos sobre consumo e renda, refletindo a retração da atividade econômica e a pressão sobre empresas e cidadãos. Analistas destacam que o desempenho recorde da arrecadação não significa necessariamente uma economia mais saudável, mas sim uma arrecadação influenciada por políticas pontuais e pelo aumento de tributos sobre investimentos financeiros e apostas.
“O fato de a arrecadação continuar crescendo acima do PIB não deve esconder que a economia está em ritmo menor e que parte do aumento decorre de mudanças legislativas, e não de expansão real da atividade”, avalia um consultor tributário que acompanha o setor.
O cenário sugere, portanto, que o governo deve lidar com o desafio de equilibrar receitas e crescimento econômico, evitando que a arrecadação se torne dependente de medidas temporárias e setores concentrados, enquanto a economia como um todo dá sinais de desaceleração.
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