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Denúncia contra pastor envolve tortura psicológica e 'cura-gay'


Por Fernando Drummond

21/11/2025  às  11:48:28 | | views 1319


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O médico André Girardi, Andréia Castro e Flávio Amaral em uma das cirurgias plásticas

Deputadas do PSOL acionam o Ministério Público após Letícia Maryon se suicidar, apontando coação e práticas criminosas no Ministério Libertos Por Deus


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A Deputada Federal Erika Hilton (PSOL-SP) e a Vereadora de São Paulo, Amanda Paschoal (PSOL-SP), denunciaram o pastor Flávio Amaral ao Ministério Público por homotransfobia e tortura após o suicídio de Letícia Maryon (Taylor). Com seu ódio à comunidade LGBTQIAPN+, Flávio Amaral, indiciado pela Polícia Civil do DF, cometeu injúria e discriminação contra à referida comunidade, ao declarar que a Deputada Federal “não era incluída no Dia das Mulheres, pois mulher não se vira mulher, mulher se nasce mulher”.

 

Letícia Maryon, de 22 anos, tirou a própria vida no dia 27 de setembro de 2024, após enfrentar durante mais de um ano o processo de “detransição” pelo Ministério Libertos Por Deus, conduzido pelo Pastor Flávio Amaral e a Missionária Andréia Castro. Pouco antes de atentar contra sua vida, Letícia Maryon havia participado de um culto ministrado por Amaral para falar sobre o seu processo, ao qual se referiu como uma “guerra espiritual entre a carne e o espírito”.

 

Recentemente, o Ministério Público Federal pediu o indiciamento de Flávio Amaral alegando que houve tortura psicológica praticada contra Letícia Antonella Maryon (Taylor) Estadual) e que “foi nesse ambiente de ódio e discriminação (do Ministério de Flávio Amaral e Andréia Castro), criado pelo próprio denunciado (Flávio Amaral), que ele cooptou Letícia Antonella Maryon, jovem em situação de extrema vulnerabilidade social e psicológica, notadamente por sua luta contra a dependência química, para participar de um suposto "tratamento" de "cura homossexual" e "destransição" de gênero, conduzido em sua igreja em Ceilândia/DF e em retiros espirituais. Sob o poder e autoridade do investigado (Flávio Amaral), Letícia foi submetida a um método contínuo de tortura psicológica, que consistia em atacar o núcleo de sua identidade, tratando sua condição de mulher transexual como patológica e demoníaca. Tal conduta infligiu-lhe intenso sofrimento mental, por ela descrito como uma "guerra espiritual entre a carne e o espírito", o que configura a elementar do tipo de tortura. O constrangimento se materializou por meio de grave ameaça de natureza psicológica e espiritual (condenação eterna, ostracismo), e pela imposição de castigos. O próprio investigado (Flávio Amaral), em vídeo, confessa ter coagido a vítima: "briguei com ele, chamei atenção dele, fiz ele jejuar. Ele não queria jejuar, eu falei: vai jejuar amanhã". Há indícios de que, após Letícia (Taylor) se envolver com outro rapaz do grupo de Flávio (LPD), chamado Guilherme, Flávio teria expulsado a vítima e lhe dado R$500,00, o que facilitou o acesso as drogas e aumentou a vulnerabilidade de Letícia, que havia sido sujeita ao tratamento imposto por Flávio. A tortura psicológica destruiu a saúde mental de Letícia, levando-a ao suicídio em 27 de setembro de 2024. O depoimento de sua genitora, Abigailde Fernanda da Silvar revela o nexo causal, ao relatar o arrependimento da filha com o "tratamento" e sua última e desesperada tentativa de contato com o investigado, que não a atendeu

 

Em prints inéditos das últimas conversas entre Letícia Marion (Taylor) e Flávio Amaral, nota-se, sem dúvidas, que o rapaz pediu ajuda ao seu pastor e que foi negada, podendo ser caracterizado como indução ao suicídio.

 

Ao chamar de “renúncia ao pecado”, Flávio Amaral pratica a “cura-gay”. Inclusive, recentemente em um podcast, declarou explicitamente que “acredita na cura-gay”, prática criminosa. Os casos de rapazes que foram se “destransicionar” no Ministério Libertos Por Deus e voltaram a ser transexuais é quase que a totalidade.

 

O suposto esquema criminoso do LPD funciona na chegada das transexuais, exposição na internet com a promessa de libertação por Amaral e Andréia, arrecadação de centenas de milhares de reais, cirurgias caríssimas, acerto financeiro com alguns médicos com histórico de procedimentos duvidosos e que cobram preços muito abaixo do mercado ou as cirurgias feitas no SUS e, com o restante do dinheiro arrecadado, Flávio e Andréia esbanjam luxo, com diversas plásticas e viagens constantes, inclusive ao exterior. Ressaltando, que o casal só pagava para retirada do silicone industrial do corpo dos rapazes, deixando-os, por várias vezes, mutilados e com sobra de pele sem a devida reparação.

 

Em um dos piores vídeos, sem nenhuma assepsia, Flávio Amaral retira os drenos de alguns rapazes em sua casa, mais precisamente no banheiro e, faz piada com a dor deles. Recentemente, Flávio Amaral declarou a um podcast que "existe cura-gay", bem como apresentou a outro canal o psiquiatra do Libertos Por Deus, Milton Hermida, declarou que "homossexualismo [sic] é doença" e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) da ONU está errada ao não classificar a homoafetividade como enfermidade.

 

Em quatro anos, o patrimônio do casal saiu de “duas malas e uma televisão”, como declarou o próprio, para uma mansão de quatro terrenos, uma casa na beira da praia, dois carros de luxo e outros imóveis em nome de terceiros ligados a eles.

 

Outro crime atribuído ao casal Flávio Amaral e Andréia Castro é o de sequestro da neta da própria Missionária. Seu filho, que está apartado da menina J., declarou que “está lutando para reaver sua filha há quatro anos, ´roubada´ por Flávio e Andréia”. A menina, numa manobra curiosa, teve a guarda provisória concedida ao casal da seita LPD, no último mês de agosto, porém as advogadas dos pais biológicos, trabalhando de forma probono, devido à vulnerabilidade deles, assumiu a causa em novembro de 2025 e prometeram reaver a criança sequestrada.

 

As acusações ao Pastor Flávio Amaral e a Missionária Andréia Castro são variadas: estelionato da fé, sequestro, tentativa de homicídio, racismo, sonegação de impostos, tráfico de influência, cirurgia ilegal no SUS (teria “furado a fila”), associação criminosa, injúria qualificada, calúnia, difamação, violência contra idosos, violência contra animais, violência contra mulheres, racismo religioso, racismo de gênero, misoginia e etarismo, falsidade ideológica.



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