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Jovens apontam racismo como marcador das desigualdades sociais


Por Redação

20/11/2025  às  09:03:12 | | views 3811


© Wilson Dias/ABr/Arquivo

Pesquisa Mapa das Desigualdades destaca contrastes no acesso a serviços públicos entre regiões centrais e periféricas


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Um grupo de 30 jovens ativistas do Distrito Federal identificou o racismo como um dos principais marcadores das desigualdades na capital federal. Os resultados fazem parte da pesquisa Mapa das Desigualdades, coordenada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e divulgada no dia 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.

 

A iniciativa combina dados estatísticos, gráficos, poesias e músicas, produzidos pelos próprios jovens moradores de áreas vulneráveis. “Praticamente 100% do Mapa foi construído por esses jovens desde fevereiro”, afirmou o educador social Markão Aborígine, do Inesc, que acompanha a pesquisa. Segundo ele, infância e juventude são as fases mais impactadas pela desigualdade estrutural.

 

Desigualdades evidentes

A pesquisa mostra grandes contrastes entre regiões nobres e periféricas da cidade. Enquanto bairros centrais, como o Lago Sul, oferecem acesso amplo a creches, hospitais, transporte público de qualidade e áreas verdes, comunidades periféricas como Itapoã carecem de serviços básicos e infraestrutura. No Itapoã, apenas 34% da população tem proximidade com praças e bosques, contra 98% no Plano Piloto.

 

O levantamento também indica que as regiões mais negras do DF concentram a ausência de políticas públicas. Temas como saúde, educação, saneamento, mobilidade e infraestrutura são atravessados pela discriminação racial, segundo os pesquisadores.

 

Impactos na vida cotidiana

Para Victor Queiroz, de 27 anos, designer e morador do Paranoá, a precariedade do transporte público é um dos principais sintomas da desigualdade. “Ando cerca de 30 minutos até o ponto e espero pelo menos 40 minutos pelo ônibus, que sempre vem lotado. Isso desestimula os jovens e representa uma negação à dignidade”, relatou.

 

Markão Aborígine reforça que os jovens transformam esses desafios em expressão cultural. “Eles traduzem a falta de acesso a serviços e a arborização em músicas e poesias. São mais do que dados”, disse.

 

Reconhecimento oficial e críticas

O governo do Distrito Federal reconhece o histórico de desigualdades, mas afirma que tem ampliado investimentos sociais e priorizado regiões periféricas. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, os recursos da rede de proteção social passaram de R$ 347 milhões em 2020 para R$ 935 milhões em 2023.

 

O órgão ressalta ainda que há um plano distrital voltado à redução das desigualdades raciais, com acompanhamento do Conselho de Assistência Social do DF, assegurando controle social e participação cidadã.

 

Apesar disso, os jovens afirmam que ainda percebem lacunas significativas na oferta de serviços públicos e infraestrutura, reforçando a correlação entre raça e desigualdade na capital federal. (Com Agência Brasil)



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