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Pesquisa aponta invasões e garimpo ilegal em 60% dos quilombos do Brasil


Por Redação

13/11/2025  às  11:51:56 | | views 4499


© Foto: Acervo Koinonia/ABr

Estudo divulgado na COP30 relaciona violência territorial, racismo ambiental e vulnerabilidade climática


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Quase 60% das comunidades quilombolas do país enfrentam invasões e garimpo ilegal, segundo pesquisa inédita do Instituto Sumaúma, divulgada nesta quinta-feira (13) durante a COP30, em Belém. O estudo relaciona a pressão de atividades criminosas à intensificação das mudanças climáticas e a violações de direitos humanos.

 

O levantamento, intitulado Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade, mostra que 54,7% das comunidades já enfrentam secas extremas, enquanto 43,4% registram perda de plantações, indicadores que evidenciam o aumento da vulnerabilidade ambiental nos territórios tradicionais.

 

Para o Instituto Sumaúma, os dados revelam a sobreposição entre crise climática e desigualdades históricas.

 

“O racismo ambiental define quem recebe investimento e quem tem seu território invadido”, afirmou Taís Oliveira, diretora da organização. “Não haverá justiça climática sem financiamento com lentes antirracistas.”

 

Racismo estrutural dificulta acesso a recursos

O estudo revela que 64,2% das lideranças quilombolas encontram barreiras para acessar recursos financeiros destinados a iniciativas climáticas e socioambientais. Segundo o levantamento, o ecossistema de filantropia e investimento social raramente prioriza projetos liderados por comunidades negras.

 

Entre os temas mais urgentes apontados pelas lideranças estão racismo (87%), políticas públicas (85%) e educação (77,4%).

 

Desigualdade digital e comunicação comunitária

Apesar da expansão da conectividade no país, quase metade das comunidades relatou problemas de acesso à internet e telefonia móvel. Mesmo assim, 96% utilizam o celular diariamente e 87% recorrem às redes sociais para mobilização e defesa de direitos.

 

O estudo também evidencia o protagonismo feminino e jovem entre comunicadores quilombolas: 58,5% são mulheres e 70% têm entre 18 e 39 anos. Mais da metade (52,8%) possui ensino superior completo ou incompleto, mas 88% vivem com até cinco salários mínimos.

 

Ameaças ao território e papel na preservação ambiental

As conclusões reforçam a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a proteção territorial e reconheçam os quilombos como aliados estratégicos na preservação dos biomas e na construção da justiça climática.

 

Para Juliane Sousa, quilombola e pesquisadora que atuou no estudo, ainda persiste uma visão distorcida sobre essas comunidades.

 

“Não vivemos isolados. Estudamos, trabalhamos e usamos tecnologia como qualquer pessoa. A diferença está na nossa relação com a natureza, baseada no cuidado e na ancestralidade.”

 

A pesquisa será utilizada para subsidiar debates na COP30 e orientar ações de proteção ambiental e combate ao racismo estrutural em territórios quilombolas.



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