Mulheres receberam 15,8% menos que homens em 2023, aponta IBGE
Por Redação
13/11/2025 às 11:04:27 | | views 4044
Diferença salarial caiu em relação a 2022, mas homens ainda concentram maior parte da massa de rendimentos
As mulheres brasileiras receberam, em média, R$ 3.449 por mês em 2023, enquanto os homens ganharam R$ 3.993,26 — uma diferença de R$ 544,26 a favor deles. Os dados fazem parte da pesquisa Estatísticas do Cadastro Central de Empresas, divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na prática, o salário feminino correspondeu a 86,4% da remuneração masculina. Apesar de ainda expressiva, a desigualdade diminuiu em relação a 2022, quando a diferença era de 17%. O levantamento considera empresas e organizações com CNPJ ativo, incluindo o setor público e entidades sem fins lucrativos.
O estudo mostra que o Brasil tinha 10 milhões de empresas e organizações formais ativas ao fim de 2023 — um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior. Destas, 7 milhões não possuíam funcionários assalariados. No total, o país contava com 66 milhões de pessoas ocupadas, alta de 5,1% em comparação com 2022. O salário médio geral foi de R$ 3.745,45, aumento real de 2% no período.
Mesmo representando 45,5% dos trabalhadores assalariados, as mulheres ficaram com apenas 41,9% da massa de rendimentos. Já os homens, que são 54,5% dos empregados formais, concentraram 58,1% do total pago em salários.
A desigualdade também se reflete na distribuição por setor. Quase um em cada cinco homens (19,4%) atua na indústria de transformação, seguido de 18,8% no comércio e reparação de veículos e 13% na administração pública. Entre as mulheres, 19,9% trabalham na administração pública, 18,2% no comércio e 11,1% em saúde e serviços sociais. Nesse último setor, três em cada quatro trabalhadores (75%) são mulheres — a maior presença feminina da economia.
Já atividades como construção civil (87,4%), indústrias extrativas (83,1%) e transporte e armazenagem (81,3%) continuam dominadas por homens. A presença feminina é maior em educação (67,7%), serviços financeiros (57,5%) e alojamento e alimentação (57,2%).
A escolaridade também influencia fortemente a renda. O IBGE mostra que 76,4% dos assalariados não têm ensino superior. Entre os que têm diploma universitário, o salário médio foi de R$ 7.489,16 — quase três vezes mais do que os R$ 2.587,52 pagos a quem não concluiu faculdade.
Os setores com mais trabalhadores com nível superior foram educação (65,5%), atividades financeiras (59,9%) e organismos internacionais (57,4%). Já em alojamento e alimentação, 96,1% dos empregados não têm diploma universitário; na agropecuária, o índice chega a 93,8%.
Apesar de avanços modestos, o IBGE destaca que as diferenças salariais entre homens e mulheres continuam sendo uma das principais distorções do mercado de trabalho brasileiro. Mesmo com o aumento da escolaridade e da participação feminina em setores estratégicos, elas ainda ganham menos e ocupam menos cargos de alta remuneração.
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