Obra parada de Angra 3 custa quase R$ 1 bilhão por ano
Por Redação
22/10/2025 às 08:01:44 | | views 4045
Audiência na Alerj cobra definição sobre retomada da usina nuclear, parada há 10 anos
A paralisação das obras da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), foi tema de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (21). O projeto, com 60% das obras concluídas, está parado desde 2015 e gera um custo anual de cerca de R$ 1 bilhão apenas para sua manutenção.
Iniciada na década de 1980, Angra 3 já consumiu aproximadamente R$ 21 bilhões de recursos públicos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), se o impasse continuar, o custo total da usina pode chegar a R$ 43 bilhões, quase o dobro do valor originalmente previsto, de R$ 23 bilhões.
Deputados cobram ação do governo
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado Jorge Felippe Neto (Avante), destacou que a retomada da obra é essencial para garantir segurança energética ao país.
“Angra 3 é fundamental para o nosso sonho de autonomia energética, capaz de gerar 1.405 megawatts e abastecer mais de 4,5 milhões de residências. O governo federal vem adiando a conclusão do projeto, que ainda exige novos investimentos para ser finalizado”, disse o parlamentar.
O deputado Marcelo Dino (União) ressaltou o potencial de geração de empregos caso as obras sejam retomadas.
“Hoje, Angra 3 gera cerca de 400 empregos, mas esse número pode chegar a 3.500. Concluir a usina é um avanço econômico para Angra dos Reis, para o Estado do Rio e para o Brasil”, afirmou.
Custo alto e desperdício
A representante da Associação de Trabalhadores da Nuclebrás Equipamentos Pesados, Flávia Azevedo, criticou o gasto bilionário com o projeto parado.
“A usina já tem 60% das obras civis concluídas e equipamentos comprados, mas o Brasil ainda gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano só para manter o projeto parado. Esse valor poderia ser usado para gerar empregos e desenvolvimento na Costa Verde”, afirmou.
Já a diretora da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Gabriela Borsato, defendeu que a conclusão da usina traria benefícios econômicos e energéticos de longo prazo.
“Uma vez concluída, a usina terá o investimento amortecido em 20 anos. Depois disso, a tarifa pode cair em até 75%. A energia nuclear tem fator de capacidade de 90%, muito superior às fontes renováveis, que ficam em torno de 40%”, explicou.
Futuro indefinido
Mesmo com o consenso entre deputados e especialistas sobre a importância do projeto, a retomada de Angra 3 segue sem data definida. O impasse sobre o modelo de financiamento e a falta de decisão do governo federal continuam travando a conclusão de uma obra iniciada há mais de quatro décadas.
Comentários desta notícia 0
Comentários - ver todos os comentários
Seja o primeiro a comentar!


