Setor naval testa etanol como alternativa de baixo carbono
Por Redação
21/10/2025 às 12:54:39 | | views 4047
Maiores produtores nacionais reforçam protagonismo do país na transição energética e apoiam projeto piloto da Maersk
O etanol brasileiro desponta como alternativa viável de combustível para o setor naval, à margem das negociações da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre marcos regulatórios de emissões. A iniciativa foi reforçada em um projeto-piloto da Maersk, realizado em parceria com a Everllance e os principais produtores nacionais, como Atvos, Copersucar, FS, Inpasa e Raízen.
O teste utiliza etanol e uma mistura E10 em navios dual-fuel, capazes de operar com metanol e bunker. A embarcação Laura Maersk, pioneira mundial como porta-contêiner movido a metanol, está sendo avaliada quanto à eficiência de ignição, corrosão, lubrificação e emissões em comparação com o metanol convencional. O objetivo é ampliar a disponibilidade de combustível renovável para a frota.
Segundo Morten Bo Christiansen, Senior VP da Maersk, o etanol oferece uma terceira opção de combustível, aproveitando a escala de produção já consolidada no Brasil.
"Para o transporte marítimo, a produção de etanol é uma vantagem estratégica. A colaboração entre produtores, usuários e reguladores será essencial para compreender seu papel na transição energética global", afirmou Christiansen.
O projeto também reforça o protagonismo do Brasil na descarbonização do setor naval, mostrando que soluções de baixo carbono podem ser aplicadas mesmo antes da consolidação de padrões internacionais. Para Danilo Veras, VP da Maersk para América Latina, o etanol brasileiro combina sustentabilidade, capacidade de produção e certificação rigorosa, tornando-se um recurso estratégico para a neutralidade de carbono.
O setor enxerga ainda oportunidades econômicas significativas. Caso apenas 10% da demanda projetada de bunker em 2030 seja substituída por etanol, a demanda resultante seria equivalente à produção atual do país, impulsionando a economia, geração de empregos e investimentos em infraestrutura e inovação.
As produtoras brasileiras defendem a criação de padrões globais sólidos, baseados em emissões de ciclo de vida e transparência, para garantir eficiência e competitividade.
"Apoiamos o trabalho da IMO para analisar a compatibilidade do etanol com tecnologias marítimas e certificações. Continuaremos a investir e demonstrar a viabilidade do etanol, independentemente dos desafios regulatórios", afirmam as empresas.
O projeto-piloto da Maersk reforça que o etanol brasileiro já é uma solução pronta para uso, capaz de contribuir para um transporte marítimo mais limpo, seguro e economicamente competitivo.
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